Com feriado nos EUA e intervenção do BC, dólar fecha a R$ 3,26

SÃO PAULO – Com menor liquidez no mercado de câmbio devido ao feriado de 4 de julho nos Estados Unidos e reagindo a mais uma intervenção do Banco Central no mercado, o dólar comercial fechou em alta frente ao real nesta segunda, pelo segundo dia consecutivo. A moeda americana se valorizou 0,98% e encerrou negociada a R$ 3,265. Na máxima do dia, a divisa atingiu R$ 3,266 e, na mínima, caiu a R$ 3,234. Na semana passada, o dólar comercial acumulou queda de 4,3%.

De acordo com operadores, além da falta de referência dos mercados americanos, o dólar subiu reagindo a um novo leilão de swap cambial reverso (operação que equivale a uma compra de dólares no mercado futuro) feito pelo Banco Central pela manhã. Foram vendidos no total os 10 mil contratos ofertados, o equivalente a R$ 500 milhões, mesma quantidade vendida na sexta-feira passada.

O presidente do BC, Ilan Goldfajn, disse em entrevista ao Valor Pro, na semana passada, que vai aproveitar “a janela de oportunidade trazida pela queda do dólar” para reduzir o estoque de swaps tradicionais que possui e soma US$ 62 bilhões. As declarações de Goldfajn levaram o mercado a estimar que o piso informal do dólar sinalizado pelo BC é de R$ 3,20, já que as intervenções começaram quando o dólar começou a ser negociado abaixo desse patamar. Abaixo deste patamar, as exportações do país seriam prejudicadas.

— O dólar reagiu à intervenção do Banco Central e ao feriado nos Estados Unidos, que reduziu o número de negócios. Mas temos um ambiente político mais tranquilo, com a crença do mercado que o governo vá levar adiante o ajuste fiscal. No ambiente externo, a expectativa é de que o Federal Reserve (o banco central americano) não eleve os juros agora. Também espera-se que os principais bancos centrais injetem mais liquidez no sistema financeiro mundial após o episódio do Brexit, a decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia. Tudo isso tira pressão do dólar – afirma Newton Rosa, economista-chefe da SulAmérica Investimentos.

O dollar spot, que acompanha o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de dez moedas, fechou com queda de 0,21%.

Na sexta-feira, a moeda americana encerrou o pregão em alta frente ao real, refletindo a decisão do Banco Central de voltar a intervir no mercado de câmbio. A divisa americana subiu 0,59% e terminou negociada a R$ 3,23 na venda, depois de três sessões de baixa.

BOVESPA ENGATA QUINTA ALTA

Na Bolsa de Valores de São Paulo, o Ibovespa, índice de referência do mercado de ações brasileiro, está em alta, mas perdeu um pouco de força. O Ibovespa sobe 0,76% aos 52.623 pontos e baixo volume negociado de R$ 2,5 bilhões. É o quinto dia consecutivo de alta da Bolsa. Entre as ações de maior peso no Ibovespa, Vale PNA sobe 1,81% a R$ 13,48 refletindo a valorização das commodities no exterior, enquanto Petrobras PN perdeu fôlego e sobe apenas 0,40% a R$ 9,87. O preço do barril de petróleo inverteu a tendência da manhã e está caindo. Já entre as ações de bancos, Itaú preferencial tem queda de 0,25% a R$ 30,84 e Bradesco PN sobe 0,58% a R$ 25,77.

— Os ativos de risco têm se recuperado no Brasil. No caso da Bolsa, avalio que se as notícias continuarem positivas, com menos incerteza política, o Ibovespa pode subir mais 10% em relação ao atual patamar – diz João Pedro Brugger, analista da Leme Corretora.

Entre as maiores altas, estão as ações ordinárias da CPFL Energia, que sobem 7,98% a R$ 22,21. A Camargo Corrêa recebeu e aceitou proposta da State Grid para aquisição da totalidade de sua participação vinculada ao bloco de controle da CPFL Energia, segundo a CPFL divulgou em fato relevante. Já entre as maiores quedas estão as ações ordinárias da Estácio, que recuam 2,50% a R$ 16,78. Embora a Estácio tenha aceitado a proposta da Kroton para uma fusão, não está descartado que a Ser Educacional faça uma nova proposta à empresa. Os papéis ordinários da Kroton perdem 1,40% a R$ 14,10.

Na sexta-feira, o Ibovespa fechou com ganho de 1,37% aos 52.233 pontos e volume negociado de R$ 7,3 bilhões.

Na Europa, as principais Bolsas fecharam em queda no primeiro dia da semana, sem a referência dos Estados Unidos e devolvendo ganhos recentes. A bolsa alemã caiu 0,69%; Paris recuou 0,91% e Londres perdeu 0,84%. O índice Eurostoxx 50, que reúne as principais ações do mercado europeu, recuou 0,72%.

As bolsas asiáticas fecharam em alta nesta segunda-feira, ainda refletindo a expectativa de que grandes bancos centrais possam adotar novas medidas de estímulos monetário e também devido a valorização de papéis de mineradoras e petrolíferas. A Bolsa de Tóquio subiu 0,60%, Hong Kong teve ganho de 1,27% e Xangai avançou 1,90%.

As Bolsas americanas não funcionam neste feriado de 4 de julho.

ver mais notícias