Com efeitos do Brexit, Fed não subirá juros até 2018, dizem especialistas

NOVA YORK – Marque 31 de janeiro de 2018 no calendário. Essa é a data do próximo aumento dos juros pelo Federal Reserve. Se é que os derivativos do mercado monetário são dignos de confiança.

Os traders, que têm sido consistentemente melhores na projeção do caminho das taxas de juros do que o próprio Fed, atualmente precificam uma probabilidade maior dos membros do banco central dos EUA reduzirem os juros em suas próximas reuniões do que de aumentarem. Eles não atribuem uma chance de aumento de mais de 50% até o início de 2018 e não contabilizam completamente um aumento das taxas até o último trimestre deste ano.

A mudança na perspectiva para a política do banco central surge após a queda das ações e das commodities internacionais, enquanto os títulos do governo e o dólar subiram após a decisão do Reino Unido, em referendo, de deixar a União Europeia. Isso restringiu as condições financeiras na maior economia do mundo, derrubou as expectativas de inflação e diminuiu a perspectiva para o crescimento global.

“O mercado está contabilizando uma probabilidade incomum de redução dos juros pelo Fed nos próximos meses”, disse Aaron Kohli, estrategista de renda fixa em Nova York da BMO Capital Markets, uma das 23 corretoras primárias que negociam com o banco central. “O Fed está realmente de mãos atadas no momento, por isso o mercado nem sequer começou a precificar alguma chance real de aumento até meados de 2017”.

A visão do mercado sobre o rumo da política do Fed não é de natureza imutável. As expectativas de alta dos juros foram invertidas em agosto e fevereiro em meio a crises semelhantes de volatilidade no mercado.

Contudo, os yields implícitos dos contratos futuros dos ‘fed funds’ agora contabilizam uma possibilidade real de corte nos juros até o fim do ano. A taxa efetiva era de 0,41% na segunda-feira e, segundo previsão média dos traders, será de 0,35% em dezembro.

As opções de futuros em eurodólares, derivativo de mercados monetários negociado mais ativamente no mundo, implicam uma chance de 25% de corte nos juros em setembro. Trata-se de uma reversão em relação a apenas dois meses atrás, quando os preços sinalizavam que o aumento dos juros até o fim do ano era quase certo.

Se a perspectiva sombria para o mercado se materializar, a situação será semelhante à de 1998, quando o Fed, liderado por Alan Greenspan, começou a reduzir os juros em setembro em resposta à turbulência do mercado antes de retomar os aumentos em junho.

“Não haverá nenhuma atividade do Fed no momento”, disse James Camp, diretor de renda fixa da Eagle Asset Management, com cerca de US$ 30 bilhões, em São Petersburgo, Flórida. “Eles não querem que as condições financeiras se restrinjam ainda mais e certamente não querem dar continuidade a essa disparada do dólar”.

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