BP registra perda de US$ 583 milhões no primeiro trimestre

LONDRES – A petroleira BP, uma das maiores empresas do setor, informou nesta terça-feira que perdeu US$ 583 milhões no primeiro trimestre deste ano, ante lucro de US$ 2,6 bilhões no mesmo período de 2015. O resultado se explica pela forte desvalorização do petróleo e veio melhor do que as projeções de analistas.

A companhia perdeu US$ 1,2 bilhão na unidade de exploração e produção de óleo e gás, principal fonte de receita em épocas de preços elevados. No trimestre, o preço médio do petróleo ficou em US$ 34 pelo barril do Brent (referência internacional), um terço inferior ao valor de um ano antes.

“A indústria inteira será de perdas no primeiro trimestre”, afirmou Oswald Clint, analista do Bernstein Research, em Londres, ao “New York Times”.

A empresa reduziu sua meta de gastos para 2016 a US$ 17 bilhões, ante a faixa de US$ 17 bilhões a US$ 19 bilhões. A direção indicou que o montante poderia cair para a faixa de US$ 15 bilhões a US$ 17 bilhões no próximo ano se os preços continuarem fracos.

A redução de custo permitiu a BP a projetar o equilíbrio das contas com um preço do barril de petróleo entre US$ 50 e US$ 55 em 2017, menos que os US$ 60 esperados anteriormente. O diretor executivo da empresa, Robert Dudley, afirmou em nota que os “fundamentos do mercado continuam a sugerir que a combinação de forte demanda e fraco crescimento da oferta vai aproximar os mercados globais de petróleo do equilíbrio até o fim do ano”.

Este mês, acionistas da BP votaram contra o pacote de remuneração de Dudley referente a 2015, no valor de US$ 20 milhões, diante das perda anual recorde da empresa no ano passado. A empresa também anunciou que, mesmo com o prejuízo, vai manter seus dividendos a US$ 0,10 por ação, o que ajudou a sustentação dos papéis da BP. No atual cenário para as companhias de petróleo, analistas afirmam que o preço de uma ação é principalmente determinado pelo dividendo. A manutenção da remuneração dos acionistas é “a primeira prioridade dentro de nossa estrutura financeira”, afirmou o diretor financeiro da companhia, Brian Gilvary, em comunicado à imprensa.

Para garantir tal dividendo mesmo com os baixos preços do petróleo, a BP tem cortado custos, que já haviam sido reduzidos em US$ 4,6 bilhões nos últimos quatro trimestres juntos frente ao ano inteiro de 2014. A companhia não só está reduzindo o quadro de pessoal, mas também podando seus programas de patrocínio culturais. Este ano, a empresa afirmou que iria encerrar seu apoio aos museus Tate, na Inglaterra.

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