Bovespa cai com Vale e pessimismo sobre meta fiscal; dólar cai R$ 3,51

RIO e SÃO PAULO – Enquanto o mercado internacional teve uma sexta-feira de recuperação após o susto com a possibilidade real de os EUA subirem juros já no mês que vem, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) se descolou dos seus pares no meio da tarde e encerrou em queda de 0,82%, aos 49.722 pontos. Puxaram para baixo o pregão as ações da Vale, que despencaram com o aumento dos estoques de minério na China, e o pessimismo dos investidores com o anúncio-surpresa do governo sobre a meta fiscal, marcado para esta noite. Com o desempenho de hoje, o índice Ibovespa caiu em todos os cinco pregões da semana, o que não acontecia desde a penúltima semana de setembro de 2015.

No câmbio, o dólar comercial registrou recuo de 1,48% ante o real, cotado a R$ 3,516 na compra e a R$ 3,518 na venda. Os investidores realizaram lucros com a venda da divisa americana após as altas das duas últimas sessões, aproveitando que o banco Central (BC) manteve-se ausente do mercado e não anunciou intervenção.

A Bovespa acompanhou a alta do exterior ao longo de toda a manhã mas cedeu por volta de 15h10m, conforme as ações da Vale aprofundavam a queda e pouco antes de o governo marcar entrevista com os ministros da Fazenda e do Planejamento, Henrique Meirelles e Romero Jucá, para as 18h, quando será anunciada a nova meta fiscal.

— O mercado ficou pessimista com relação à situação fiscal. O fato Meirelles e Jucá terem agendado entrevista para o fim da tarde de uma sexta-feira, depois de o mercado fechar, deixou em muitos a impressão de que os números serão ruins — — disse Pablo Stipanicic Spyer, da Mirae Asset. — De qualquer forma, as mineradoras estão sofrendo muito com a notícia sobre os estoques do minério de ferro da China. Para completar, o Goldman Sachs soltou relatório dizendo que o preço da commodity pode voltar à casa dos US$ 35 (hoje está em torno de US$ 55).

Os papéis preferenciais da Vale caíram 3,79% (R$ 11,40 ) e os ordinários recuaram 5,10% (R$ 14,13). Os estoques portuários de minério de ferro na China aumentaram em 1,6% esta semana, atingindo 100 milhões de toneladas, o patamar mais alto desde março de 2015. As siderúrgicas também foram afetadas. A Usiminas PN série A caiu 2,65% (R$ 1,83), enquanto a CSN ON teve baixa de 2,28% (R$ 7,28).

A Petrobras abriu com forte alta, chegando a subir mais de 5%, com a confirmação da indicação de Pedro Parente para a presidência da Petrobras no lugar de Aldemir Bendine. Mas a estatal não conseguiu resistir ao pessimismo que tomou conta do mercado à tarde e fechou em baixa de 1,56% (ON, a R$ 11,33) e 0,66% (PN, a R$ 8,90).

Os bancos também afundaram no pregão. O Banco do Brasil ON registrou desvalorização de 2,36% (R$ 17,31), e o Bradesco PN caiu 1,09% (R$ 24,38). O Itaú Unibanco PN teve baixa de 1,27% (R$ 30,08), enquanto a unit do Santander recuou 1% (R$ 17,67).

— Hoje acabamos nos descolando do mercado externo. O IPCA-15 veio pior do que estava na conta. A inflação parecia dar uma trégua, mas esse número foi ruim e contribuiu para a piora do humor. Além disso, circularam ao longo do dia rumores sobre o rombo do governo — explicou Hersz Ferman, da Elite Corretora.

A prévia da inflação oficial de maio, o IPCA-15, teve alta de 0,86%, a maior taxa para o mês desde 1996, quando ficou em 1,32%. Mais uma vez, o índice veio acima das previsões do mercado, que ficaram entre 0,65% e 0,76%.

A MRV foi outro destaque entre as quedas, recuando 4,46%, a R$ 10,71. A companhia foi impactada pelos ruídos sobre a continuidade do programa Minha Casa Minha Vida. O ministro das Cidades, Bruno Araújo, havia afirmado ao “Estado de S. Paulo” que o governo iria suspender a contratação de 2 milhões de moradias do programa até o fim de 2018. Horas depois, porém, Araújo voltou atrás e disse que não há hipótese de suspensão do programa.

No exterior, os principais indicadores fecharam em alta. Nos Estados Unidos, o Dow Jones subiu 0,38% e o S&P 500 teve valorização de 0,6%. Na Europa, o DAX 30, de Frankfurt, fechou com valorização de 1,23%, e o CAC 40, da Bolsa de Paris, avançou 1,67%. Já o FTSE 100, de Londres, subiu 1,70%.

ver mais notícias