Bolsa mantém queda e ações da Oi chegam a despencar 30%

RIO e SÃO PAULO — O principal índice do mercado de ações brasileiro, Ibovespa, está em queda nesta terça-feira, puxado pelo recuo das ações de bancos e da Petrobras. O Ibovespa, principal índice do mercado de ações brasileiro, recuava 0,55% aos 50.052 pontos, às 12h19m. As negociações com ações da Oi ficaram suspensas desde a abertura e foram retomadas às 11h, mas devido à forte queda dos papeís acabaram entrando em leilão por duas vezes para redefinição do preço do ativo.

Depois do leilão, as negociações com os papéis da Oi recomeçaram com as ações ordinárias recuando 15,07%, a R$ 1,04, enquanto os preferenciais perdiam 30,30%, a R$ 0,69, às 11h18m. Às 11h30m, os papéis PN perdiam 25,25% e os ordinários recuavam 16,67%, e novamente entraram em leilão devido às fortes perdas. Às 12h19, as preferenciais perdiam 14,14% a R$ 0,86 enquanto as ordinárias recuavam 19,04% a R$ 1,02. Os ADRs (American Depositary Receipts, papéis que equivalem a recibos de ações) perderam 46,7% na abertura da Bolsa de Nova York e as negociações foram suspensas. A operadora de telefonia Oi entrou com o maior pedido de recuperação judicial da história do país ontem.

Ainda de acordo com a Bolsa, às 16h, será feito call de fechamento para definir o preço de saída das ações da Oi dos seis índices dos quais o papel faz parte, já que empresas em recuperação judicial não podem integrar esses índices. As ações da Oi não integram o Ibovespa. Ontem, as ações ordinárias (com direito a voto) da Oi fecharam em queda de 5,97% a R$ 1,20, enquanto os papéis preferenciais (sem direito a voto) perderam 10% e encerraram negociados a R$ 0,99.

— Os papéis da Oi já vinham sendo castigados pelo mercado, já que a empresa não chegava a um acordo com seus credores — diz Luiz Roberto Monteiro, operador da corretora Renascença. No ano, as ações PN apresentam desvalorização de 49%, enquanto as ações ordinárias recuam 56%.

Em Portugal, a Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), órgão regulador do mercado financeiro locall, determinou a suspensão da negociação de papéis da Pharol e a emissão de títulos da Portugal Telecom também por causa do pedido de recuperação judicial da Oi.

O economista-chefe do Home Broker Modalmais, Alvaro Bandeira, afirmou, em relatório, que o pedido de recuperação judicial da Oi deve se refletir no balanço dos bancos. Segundo Bandeira, dos R$ 65 bilhões da dívida, R$ 14 bilhões são de crédito bancário. Entre os bancos credores da Oi estão Banco do Brasil, Bradesco, Itaú Unibanco, Caixa Econômica Federal e BNDES.

“A recuperação judicial pedida na véspera de encerramento de semestre vai aumentar as provisões no sistema bancário”, escreveu o economista.

Por iso, os papéis de bancos estão em desvalorização e puxam o Ibovespa, já que têm maior peso no índice. Os papéis preferenciais do Itaú Unibanco recuam 1,8%, a R$ 28,87, enquanto as ações PN do Bradesco perdem 1,34% a R$ 24,28 e as ordinárias caem 1,55% a R$ 25,45, figurando entre as maiores perdas do índice.

– O Ibovespa é puxado pela queda dos bancos e da Petrobras, com o recuo do preço internacional de mais de 2% – explica Ari Santos, gerente de mesa Bovespa da corretora H. Commcor.

As maiores altas do pregão são apresentadas por empresas de telefonia, concorrentes da Oi: o maior ganho é dos papéis ordinários da TIM, com alta de 1,32% a R$ 6,90.

— A expectativa é que muitos clientes da Oi migrem para estas operadoras, o que impulsiona suas ações — diz um operador de Bolsa.

As ações da Kroton, empresa de ensino superior, estão em alta após a companhia divulgr em fato relevante que melhorou a oferta para troca de ações com a Estácio, numa possível fusão. A oferta subiu de 0,977 para 1,25 ação da Kroton para cada papel da Estácio. Os papéis ON da Kroton sobem 1,29% a R$ 13,31, enquanto as ações ordinárias da Estácio abriram em alta, mas inverteram o sinal e recuam 0,45% a R$ 15,38.

Na segunda, a Bolsa de Valores de São Paulo subiu 1,61%, aos 50.329 pontos. O mercado local seguiu o clima de alívio dos mercados externos com a aumento da probabilidade de permanência do Reino Unido na União Europeia. Mas hoje, segundo os especialistas, está mais ficado nos fatores domésticos.

CÂMBIO: DÓLAR RECUA FRENTE AO REAL

O dólar comercial abriu em queda nesta terça-feira, seguindo a tendência internacional. Ás 12h19m, a moeda recuava recuava 0,08% frente ao real e valia R$ 3,39. É o terceiro dia de recuo frente ao real. Na mínima do dia, a divisa atingiu R$3,35 enquanto na máxima chegou a ser negociada a R$ 3,41.

“Os investidores mantêm o otimismo com a possível permanência do Reino Unido na UE”, o chamado “Bremain”, escreveu em relatório Ricardo Gomes, da corretora de câmbio Correparti.

Mesmo assim, ainda há muita cautela sobre o assunto, já que a votação deve ser apertada. Pesquisas recentes apontam um quadro misto: o “Daily Telegraph” coloca a “permanência” sete pontos à frente, enquanto o The Times coloca a “saída” dois pontos na dianteira. Segundo dados compilados pela Bloomberg, 44% estariam a favor da saída, 42% a favor da permanência e 13% ainda indecisos. O plebiscito acontece nesta quinta.

Nesta terça-feira, as moedas de países emergentes ganham do dólar, o que aponta para mais um dia de recuperação.

Gomes, da Correparti, lembra que no cenário interno, o acordo com o governo para que os estados só iniciem o pagamento de suas dívidas em 2017 também traz efeito positivo.

“Tal fato é encarado como uma vitória por parte do governo de Temer e criam um clima otimista para que os governadores deem seu apoio, mais à frente, para a aprovação da PEC que cria um “teto” de gastos para a União”, diz Gomes em seu relatório.

Ontem, a moeda americana fechou em queda de 0,61%, cotada a R$ 3,40 para venda, menor nível em mais de duas semanas. Na mínima, chegou a R$ 3,375.

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