Bolsa mantém queda e ações da Oi chegam a despencar 30%

RIO e SÃO PAULO — O principal índice do mercado de ações brasileiro, Ibovespa, que estava em queda desde a abertura, inverteu a tendência e sobe nesta tarde. Às 15h47m, o índice se valorizava 0,76% aos 50.711 pontos. Analistas avaliam que a diminuição da queda no preço do petróleo animou os investidores. As ações da Oi, operadora de telefonia que entrou com o maior pedido de recuperação judicial da história do país ontem, são o destaque negativo do pregão. Os papéis chegaram a cair mais de 30% logo após o início das negociações e foram a leilão por duas vezes para redefinição do valor do ativo.

As negociações com papéis da Oi ficaram suspensas, entre 10h e 11h, segundo comunicado divulgado pela BM&FBovespa. Logo após a abertura, as ações despencaram e entraram em leilão. O primeiro leilão terminou às 11h18m e, no horário, as ações ordinárias da operadora recuavam 15,07%, a R$ 1,04, enquanto os preferenciais perdiam 30,30%, a R$ 0,69. As perdas diminuíram, mas por volta de 11h30m a desvalorização se acentuou com as ações PN recuando 25,25% e os papéis ordinários se desvalorizando 16,67%. Por isso, novamente as ações entraram em leilão.

– O leilão é um mecanismo para redefinir o preço do ativo num momento de queda acentuada, em que há muita gente vendendo – explica Ari Santos, operador de mesa Bovespa da corretora H. Commcor.

Às 15h52, as preferenciais perdiam 19,19% a R$ 0,79 enquanto as ordinárias recuavam 12,69% a R$ 1,09. Os ADRs (American Depositary Receipts, papéis que equivalem a recibos de ações) perderam 46,7% na abertura da Bolsa de Nova York e as negociações foram suspensas.

Ainda de acordo com a Bolsa, será feito um call de fechamento para definir o preço de saída das ações da Oi dos seis índices dos quais o papel faz parte, já que empresas em recuperação judicial não podem integrar esses índices. As ações da Oi não integram o Ibovespa. Ontem, as ações ordinárias (com direito a voto) da Oi fecharam em queda de 5,97% a R$ 1,20, enquanto os papéis preferenciais (sem direito a voto) perderam 10% e encerraram negociados a R$ 0,99.

— Os papéis da Oi já vinham sendo castigados pelo mercado, já que a empresa não chegava a um acordo com seus credores — diz Luiz Roberto Monteiro, operador da corretora Renascença. No ano, as ações PN apresentam desvalorização de 49%, enquanto as ações ordinárias recuam 56%.

Em Portugal, a Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), órgão regulador do mercado financeiro local, determinou a suspensão da negociação de papéis da Pharol e a emissão de títulos da Portugal Telecom também por causa do pedido de recuperação judicial da Oi.

O economista-chefe do Home Broker Modalmais, Alvaro Bandeira, escreveu, em relatório, que o pedido de recuperação judicial da Oi deve se refletir no balanço dos bancos. Segundo Bandeira, dos R$ 65 bilhões da dívida, R$ 14 bilhões são de crédito bancário. Entre os bancos credores da Oi estão Banco do Brasil, Bradesco, Itaú Unibanco, Caixa Econômica Federal e BNDES.

“A recuperação judicial pedida na véspera de encerramento de semestre vai aumentar as provisões no sistema bancário”, escreveu o economista.

Por isso, os papéis de bancos estão em desvalorização e puxam o Ibovespa, já que têm maior peso no índice. Os papéis preferenciais do Itaú Unibanco recuam 0,74%, a R$ 29,18, enquanto as ações PN do Bradesco perdem 0,12% a R$ 24,58.

– Os problemas da Oi afetam os papéis de bancos, que terão que aumentar suas provisões por causa dos problemas da operadora – explica Ari Santos, da H. Commcor.

Os papéis preferenciais da Petrobras que estavam em queda pela manhã com o recuo do preço do petróleo no mercado internacional se recuperaram e reduziram as perdas do Ibovespa. À tarde, as ações estavam em alta de 2,17% a R$ 9,38.

As ações da Kroton, empresa de ensino superior, estão em alta após a companhia divulgar em fato relevante que melhorou a oferta para troca de ações com a Estácio, numa possível fusão. A oferta subiu de 0,977 para 1,25 ação da Kroton para cada papel da Estácio. Os papéis ON da Kroton sobem 2,43% a R$ 13,46, enquanto as ações ordinárias da Estácio sobem 0,64% a R$ 15,55.

Na segunda, a Bolsa de Valores de São Paulo subiu 1,61%, aos 50.329 pontos. O mercado local seguiu o clima de alívio dos mercados externos com a aumento da probabilidade de permanência do Reino Unido na União Europeia. Mas hoje, segundo os especialistas, está mais ficado nos fatores domésticos.

CÂMBIO: DÓLAR RECUA FRENTE AO REAL

O dólar comercial abriu em queda nesta terça-feira, seguindo a tendência internacional, inverteu o sinale na reta final do pregão volta a se desvalorizar frente ao real. Às 15h55m, a moeda se desvalorizava 0,29% frente ao real e valia R$ 3,39 na venda. Na mínima do dia, a divisa atingiu R$3, 35 enquanto na máxima chegou a ser negociada a R$ 3,41.

O dólar começou a ganhar força após declarações da presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Janet Yellen, indicando que as taxas de juros podem se normalizar até o fim do ano. Mas ela disse que ainda existem dificuldades para fazer as elevações.

– O dólar começou a ganhar força após as declarações de Yellen, por aqui, e lá fora. Mas como não se espera alta de juros para breve, a moeda americana acabou perdendo força – diz Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da corretora Treviso, lembrando que a questão da permanência do Reino Unido na União Europeia ainda está no radar.

Ainda há muita cautela sobre o plebiscito que vai decidir a permanência do Reino Unido na União Europeia, já que a votação deve ser apertada. Pesquisas recentes apontam um quadro misto: o “Daily Telegraph” coloca a “permanência” sete pontos à frente, enquanto o The Times coloca a “saída” dois pontos na dianteira. Segundo dados compilados pela Bloomberg, 44% estariam a favor da saída, 42% a favor da permanência e 13% ainda indecisos. O plebiscito acontece nesta quinta.

Ontem, a moeda americana fechou em queda de 0,61%, cotada a R$ 3,40 para venda, menor nível em mais de duas semanas. Na mínima, chegou a R$ 3,375.

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