BC: é cedo para falar em queda de juros, apesar de trégua na inflação

BRASÍLIA – O Banco Central reforçou sinais de que ainda é cedo para falar em queda dos juros, apesar da trégua dada pela inflação. Na ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da semana passada _ publicada nesta quinta-feira_ os diretores argumentam que a alta de preços perdeu força por causa da recessão, mas é preciso acompanhar os próximos desdobramentos.

“O Comitê reconhece os avanços na política de combate à inflação, em especial a contenção dos efeitos de segunda ordem dos ajustes de preços relativos. No entanto, considera que o nível elevado da inflação em doze meses e as expectativas de inflação distantes dos objetivos do regime de metas não oferecem espaço para flexibilização da política monetária.”

Na semana passada, o BC manteve, pela sexta vez seguida, a taxa básica de juros (Selic) em 14,25% ao ano. E informou que houve avanços no combate à inflação, mas alegou que considera que os níveis ainda são altos para flexibilização da política monetária.

Nos últimos 12 meses, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está em 9,39%, ainda longe do teto da meta de 6,5%. Em 2015, porém, o IPCA foi de 10,67%.

A decisão de manter os juros foi tomada por unanimidade pela primeira vez em 2016. Desde o fim do ano passado, dois diretores votavam pelo aumento da taxa básica de juros. Agora, eles reconheceram não ser mais necessário para conter os preços.

Essa pode ter sido a última reunião do Copom comandada pela atual diretoria. Se o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff for aprovado, a equipe econômica deve ser mudada.

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