Análise: Time sob medida para dar segurança ao mercado

BRASÍLIA – Conhecido pela preocupação em dar sinais claros e transmitir segurança ao mercado, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, não fez diferente ontem ao anunciar os principais integrantes de sua equipe. Trouxe para o governo Michel Temer economistas respeitados em suas áreas de atuação para ajudá-lo. A ideia foi mostrar que esse grupo tem condições de resolver os problemas da economia de forma eficiente e rápida.

Um exemplo disso foi a escolha de uma das maiores autoridades na área de Previdência Social, Marcelo Caetano, para conduzir a nova Secretaria da Previdência, que será vinculada à Fazenda. Outro foi trazer o especialista em contas públicas Mansueto Almeida para a Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae), com uma missão: passar um pente-fino nas finanças da União e mostrar de uma vez por todas qual é o tamanho do rombo que existe hoje.

O mesmo vale para a escolha do ex-diretor do Banco Central Carlos Hamilton Araújo para comandar a Secretaria de Política Econômica da Fazenda. Quando estava no BC, enquanto Meirelles comandava a autarquia, era Carlos Hamilton que participava das reuniões trimestrais de conjuntura com o mercado financeiro e que fazia a ponte entre os bancos e o governo. Ontem mesmo, analistas já comentavam que Meirelles havia montado “o time dos sonhos do mercado”.

Durante o anúncio, Meirelles fez questão de repetir seu novo mantra: “vamos com calma, mas temos pressa”, o que mostra sua intenção de dar passos firmes com a menor margem de erro possível. A ideia é que, antes de anunciar medidas concretas, é preciso ter o diagnóstico definido. A segunda é que, quando for o momento de agir, o governo será rápido na apresentação de propostas. O projeto de reforma da Previdência, por exemplo, sairá em 30 dias por sugestão do próprio Meirelles.

É com essa equipe que o ministro quer formatar ações que permitam não apenas resolver o rombo bilionário de 2016, mas dar as diretrizes que tenham efeito para 2017 e 2018, bem como que permitam que o Brasil volte a realizar superávits primários, a fim de colocar a dívida pública em uma trajetória decrescente. Da nova Secretaria de Previdência virá a ancoragem para que essas ações tenham condições de se concretizar.

No momento, o Otávio Ladeira continua como secretário do Tesouro Nacional. Ele comandará um grupo de trabalho, criado ontem, que aprimorará os conceitos do resultado fiscal que atenda às determinações do Tribunal de Contas da União (TCU).

Jorge Rachid permanece como secretário da Receita Federal. Ele foi classificado como “um profissional de grande competência e de grande respeito” pelo novo chefe. À frente da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, continua Fabrício da Soller.

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