Abundância da oferta de petróleo permanece em 2017, segundo AIE

LONDRES – A abundância global de petróleo vai permanecer em 2017, o que limitará toda probabilidade de recuperar o preço a curto prazo, dado que o excedente vai demorar a desaparecer, segundo relatório da Agência Internacional da Energia (AIE) divulgado nesta segunda-feira.

Ainda que a produção de gás não convencional dos Estados Unidos diminua neste e no próximo ano diante do impacto da queda do preço na perfuração, uma recuperação posterior vai garantir que os Estados Unidos continuem sendo a principal fonte de oferta da matéria-prima até 2021. Segundo o órgão, a Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep) aumentará levemente sua participação no mercado nesta década, tendo em vista que o Irã — liberado das sanções internacionais em janeiro — tomará o lugar do Iraque como maior contribuinte do grupo ao crescimento da oferta.

“Somente em 2017 no fim veremos por fim um alinhamento entre oferta e demanda de petróleo, mas as enormes reservas acumuladas atuarão como retartador do ritmo da recuperação dos preços do petróleo”, afirmou a AIE. “É custoso pensar que os preços do petróleo venham a experimentar uma recuperação significativa a curto prazo com relação aos baixos níveis atuais”.

A produção de petróleo deverá aumentar em 4,1 milhões de bpd (barris por dia) entre 2015 e 2021, graças, sobretudo, ao Irã e aos Estados Unidos. Mas isso representa um forte freio se comparado ao aumento da produção em 11 milhões de bpd registrada entre 2009 e 2015, segundo a AFP.

As novas expectativas da AIE indicam que o setor de petróleo se prepara para um contexto de preços mais baixos durante mais tempo. A agência admitiu que as expectativas prévias do setor — e suas próprias projeções — de que os mercados petroleiros se recuperaram em 2015 foram “muito erradas”. O relatório assinala também que, ainda que a Opep tenha êxito com sua política de defesa da participação do mercado, o grupo terá que suportar um período mais longo de receitas menores.

EXCEDENTE CONTINUA

Os contratos futuros de petróleo caíram 42% nos últimos 12 meses já que o excedente global se ampliou principal devido a três fatores: resistência da produção americana, maior oferta de importantes membros da Opep e desaceleração do crescimento econômico da China.

Após cair este ano, a oferta de fora da Opep vai permanecer estável em 2016 e se recuperar em 2018, para crescer 2 milhões de barris nos seis anos até 2021 e atingir 59,7 milhões de barris por dia. Segundo a agência, os preços precisam se recuperar até US$ 100 para financiar essa nova produção.

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