‘A situação do investimento é um desastre’, diz Paulo Levy, do Ipea

RIO – Economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Paulo Levy vê com preocupação a retração dos investimentos no país. Para permitir a retomada dos investimentos a médio prazo e garantir um crescimento sustentável no futuro, diz, é preciso mudar o ambiente de negócios e as condições macroeconômicas.

Qual a sua avaliação sobre o PIB?

A taxa de 0,3% mostra desaceleração do ritmo de queda da atividade econômica. É um sinal positivo, mas que precisa ser confirmado em mais um ou dois trimestres para saber se estamos mesmo caminhando para uma interrupção da queda acentuada da atividade. O degrau de desaceleração surpreendeu.

O pior já passou?

Depende de como se define isso. Alguns indicadores mostram que o processo de ajuste de estoques pode estar avançado. Assim, numa eventual recuperação da demanda, o nível de estoques está adequado e será possível avançar na produção. Esse é o aspecto positivo do que vemos.

Como viu o recuo do investimento?

A situação do investimento é um desastre. A taxa de investimento caiu de 20,7%, no primeiro trimestre de 2013, para 16,9% agora. É uma queda importante, mesmo que o dado de 2013 tivesse algum componente artificial do programa de financiamento do BNDES para a compra de caminhões, com taxas subsidiadas, que puxou a produção do setor. A curto prazo, não há impacto porque a utilização de capacidade instalada da indústria está muito baixa e há espaço para avançar sem inflação.

E a médio e a longo prazos?

Quando se olha à frente, a questão é mais crítica. Desde o quarto trimestre de 2013, os investimentos caíram 27%. Os níveis de investimento estão muito baixos. É preciso pensar como mudar o ambiente de negócios e as condições macroeconômicas para estimular os investimentos a médio prazo. Isso é a chave para viabilizar um crescimento sustentável da economia brasileira. Na conjuntura macroeconômica, a situação fiscal é fundamental.

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