FHC diz que eventual governo Temer não pode ter a cara de um partido

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse nesta quinta-feira que um eventual governo de Michel Temer não pode ter a cara de nenhum partido e deve aceitar quem quiser ajudar a resolver o que ele chamou de “emergência nacional”. FH recebeu o senador Aécio Neves (PSDB-MG) em seu apartamento em São Paulo para discutir uma agenda de compromissos que o partido pretende apresentar ao vice-presidente na próxima terça-feira.

– O PSDB, a meu ver, não deve se negar (a participar do eventual novo governo). Mas tem que ver para fazer o que. Não será um governo no PSDB. A meu ver, não pode ser governo de nenhum partido, não pode ter a cara de nenhum partido. Vou chamar de um governo de emergência nacional. Quem vai se negar a ajudar o país numa emergência?

O ex-presidente afirmou que o documento que o PSDB deve apresentar a Temer tem “condições mínimas” para o país sair de situações econômicas e sociais “desesperadoras”. Ao chamar Temer de “futuro presidente”, FH disse que é dele a responsabilidade de utilizar as recomendações do PSDB. A ideia do encontro é a forma como tratar do programa que o partido pretende apresentar a Michel Temer em troca de apoio ao vice-presidente, caso o Senado aprove o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

– Essas são condições mínimas que achamos necessárias para o país sair da da situação em que está. Mas a responsabilidade será do futuro presidente. Lamento que a atual presidente não tenha convocado o país para unidos sairmos da crise.

Questionado se apoiaria o afastamento de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da presidência da Câmara dos Deputados, FH afirmou que a agenda mínima do PSDB pede “toda a força para a Lava-Jato”:

– Cunha responde a processos. Tem que chegar ao fim esses processos.

Presidente nacional do PSDB, Aécio afirmou que há convergência entre os tucanos com relação à participação do partido no eventual governo Temer, “independente de cargos”.

– Se (Temer) quiser buscar cargos no PSDB, que o faça. O que não vamos é incentivar a lógica desse presidencialismo de cooptação, que já não deu certo.

Ainda segundo Aécio, o fim da reeleição agrada o PSDB, mas não é condição mínima para a participação do partido em um eventual novo governo. Temer tem dito a aliados que apoiaria o projeto, que vem sendo defendido por lideranças tucanas nos últimos anos:

– Se você me perguntar se isso é uma pré-condição, diria que não. Mas se me perguntar se estimula que outras forças políticas se juntem a ele (Temer), eu diria que sim.

Apontado como possível candidato do PSDB para as eleições presidenciais de 2018, Alckmin começou a semana fazendo declarações contra a participação de tucanos em um eventual ministério de Temer. Na terça-feira, ele já seguia a posição majoritária no partido, defendida também por Fernando Henrique, e disse que não se opunha à aliança do PSDB com o vice-presidente.

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