Menino de 10 anos é assassinado por técnico de futebol que o tratava como filho


Ele chamava de “papai” o homem que o matou com um tiro.

No sábado (22), na cidade de Maldonado, no Uruguai, terminaram de forma trágica as buscas por Felipe Romero, de 10 anos, que foi sequestrado por Fernando Sierra, técnico do time de futebol no qual o menino jogava e com quem mantinha uma relação muito próxima.

Uma psicóloga que tratava do menor, já havia alertado quanto aos comportamentos estranhos do garoto e recomendou à mãe que ele não ficasse mais a sós com Sierra. 

Felipe era filho de um conhecido ex-jogador de futebol, Luis Romero, que era um “pai ausente”, segundo disse sua mãe, Alexandra Pérez.

O técnico Sierra e Felipe se conheceram em 2015, por meio da equipe infantil do Club Defensor de Maldonado. Sierra era o técnico da equipe em que o menino jogava.

“Ele levava e trazia Felipe dos treinos, das partidas, andavam juntos para todos os lados, ele o tratava como se fosse seu filho, e Felipe o tratava como se fosse seu pai. Por mais de uma vez, Felipe o chamou de papai”, diz Myriam Sosa, dirigente do Club Defensor Maldonado responsável pela divisão infantil.
Até sua morte, Sierra ainda trabalhava como técnico. Ele se apresentava como um “amigo da família” conta Sosa, e, por isso, ninguém estranhava tanta proximidade entre ele e o garoto.

O treinador se tornara a figura paterna de Felipe, até que, depois de algumas viagens que fizeram juntos, a psicóloga do menino chamou a mãe do garoto para conversar.
“Ela notou sinais de que algo não estava bem com Felipe”, contou a mãe do garoto. Foi recomendado que ela não deixasse mais o menino sozinho com o treinador.

A mãe de Felipe decidiu confrontar Sierra. Na quarta-feira (19), enquanto seu filho treinava, ela puxou Sierra de lado para conversarem a sós.
“Veja bem, Fernando, as psicólogas me alertaram que não pode voltar a ficar sozinho com Felipe. Entenda como queira. Mas precisa aceitar o que estou te pedindo. Por favor”, disse ela, como relatado ao El País.
“Se não posso mais ver o Felipe, eu me mato”, foi a resposta do treinador, segundo a mãe do menino.

Mas sem permissão da mãe, Sierra foi buscá-lo na escola na quinta-feira (20). Foi a última vez que se teve notícia deles – até o sábado, quando os dois foram encontrados sem vida a 150 km de Montevidéu, capital do país.

O caso mobilizou o Uruguai. Foram criadas campanhas em redes sociais, e os amigos da família se ofereceram como voluntários para participar das buscas por Felipe.
O próprio Ministério do Interior se encarregou de dar a triste notícia. “A busca pelos desaparecidos teve o pior desfecho”, comunicou em sua conta no Twitter.
“Lamentavelmente, na manhã de hoje, uma equipe localizou em Villa Serrana os corpos sem vida.”

Sierra atirou contra o menino e depois se matou, segundo confirmou o chefe de polícia da cidade Maldonado, onde os dois viviam.

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