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Estupro coletivo: Ministério Público quer analisar autos do processo

Da redação | 28/05/2016 21:40

RIO – O Ministério Público pretende analisar os autos do processo que investiga o estupro coletivo da adolescente de 16 anos, ocorrido em uma comunidade de Jacarepaguá. Os promotores querem assegurar as investigações de todos os crimes ocorridos contra a jovem.

Na noite deste sábado, o coordenador de Direitos Humanos do MPRJ, procurador de Justiça Márcio Mothé, e a coordenadora de Violência Doméstica contra a Mulher, promotora Lúcia Iloízio, receberam a advogada de defesa da adolescente, Eloísa Samy. Acompanhada de uma representante da OAB-RJ, ela relatou suas impressões quanto a condução do depoimento da vítima pelo delegado Alessandro Thiers, da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI). De acordo com Eloísa, ele estaria criminalizando e culpabilizando a garota.

Mothé considerou o caso uma “aberração” e vai pedir que a promotoria de investigação penal entenda o caso e tome as “medidas urgentes cabíveis:

— Considero este fato grave uma verdadeira aberração, e a gente espera que sejam tomadas todas as providências cabíveis com a punição exemplar das pessoas envolvidas. A razão pela qual a advogada veio aqui é para assegurar a vítima que está numa situação de vulnerabilidade, precisando de amparo. É uma menina de 16 anos que estava vulnerável e incapaz de qualquer resistência. É um fato grave, é uma mulher, crime praticado por mais de 30 pessoas e ainda divulgado na mídia. É muito grave merece uma punição exemplar — destacou o procurador de Justiça.

A promotora Lúcia Iloízio afirmou os autos do processo precisa ser analisado de forma criteriosa antes de afirmar se o pedido de prisão dos envolvidos já deveria ter sido realizado.

— Nós vamos fazer esta análise de forma muito criteriosa. Seria prematuro eu prestar uma informação neste sentido (do pedido de prisão) sem a análise detida dos autos.

MACHISMO E MISOGINIA

A advogada de defesa Eloísa Samy afirmou estar irritada com Alessandro Thiers. Para ela, o delegado está tratando o caso com “machismo e misoginia”.

— O que mais me irritou foi a maneira como a vítima foi tratada por durante o depoimento. A maior preocupação da DRCI parece que não é investigar o estupro, mas investigar a divulgação dos vídeos. O que me incomodou é o machismo e a misoginia com que o delegado está tratando este caso especificamente, colocando o estupro como um crime menor — relatou demonstrando confiança no afastamento do policial das investigações.

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