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Mubadala sobrevive a Eike graças a acordo com Burger King

Da redação | 22/03/2016 10:00

RIO – A Mubadala Development sobreviveu ao colapso do mais famoso ex-bilionário do Brasil, em parte graças às ações do Burger King. O fundo soberano de investimento de Abu Dhabi comprou uma participação da Restaurant Brands International de Eike Batista em 2013 por US$ 300 milhões durante a primeira fase de uma reestruturação multibilionária concluída apenas neste mês, disse Oscar Fahlgren, chefe do escritório da Mubadala no Rio de Janeiro. A participação na Restaurant Brands, empresa com sede em Oakville, Ontário, Canadá, que é a proprietária do Burger King, mais do que dobrou para US$ 715 milhões desde que foi comprada de Eike, disse ele.

A Mubadala investiu na empresa holding de Eike no início de 2012, quando a explosão das commodities impulsionou a demanda por suas startups dos setores de petróleo, mineração e logística, transformando-o no homem mais rico do Brasil. No fim daquele ano, os resultados desastrosos dos primeiros poços de petróleo de Eike provocaram uma forte queda de suas empresas de capital aberto e no início de 2013 a Mubadala começou a negociar uma forma de recuperar seu investimento, disse Fahlgren. Os esforços para entrar em contato com Eike, por meio de seus advogados, para que ele comentasse o assunto, não deram resultado.

Durante os três anos seguintes, a Mubadala usou as condições associadas ao seu investimento em “ações preferenciais” para recuperar ativos de Eike em um momento em que ele lidava com falências, ações judiciais de investidores e investigações da Comissão de Valores Mobiliários.

SEM ARREPENDIMENTO

A Mubadala estima que, no total, os ativos que pertenciam a Eike, incluindo as ações na Restaurant Brands, tenham um valor de US$ 2,3 bilhões, mais do que foi investido no empresário brasileiro no auge, disse Fahlgren. Os números englobam US$ 300 milhões em dinheiro que a Mubadala recebeu de Eike durante as primeiras fases da reestruturação.

— Estamos confortáveis em relação a onde terminamos e não nos arrependemos de ter realizado nosso investimento — disse Fahlgren, no quinto andar da Leblon Executive Tower, no Rio de Janeiro, um dos ativos que ele adquiriu de Eike em troca de dívidas. — Se você tivesse perguntado isso em maio ou junho de 2013, teria recebido uma resposta diferente.

A Mubadala assumiu o controle de uma mina de ouro na Colômbia atualmente avaliada em US$ 400 milhões, dos chamados bonds royalty ligados a um terminal de minério de ferro, que agora é uma joint venture com a Trafigura Beheer, e de outros ativos, incluindo imóveis comerciais no Rio, onde a Mubadala recentemente abriu seu primeiro escritório fora de Abu Dhabi. A última propriedade que o fundo tomou de Eike foi o Hotel Glória, no Centro do Rio, que a empresa avalia em US$ 25 milhões.

‘EMPREGO DE CAPITAL’

O investimento original da Mubadala foi colocado em ações preferenciais na EBX, a holding de Batista, que tinha condições como restrições à alavancagem e garantias pessoais de Eike.

Isso tornou a negociação mais fácil para o fundo do que para os detentores de bonds e ações eliminados durante a queda do império de commodities de Eike, disse Fahlgren.

A Mubadala atualmente está aberta a investir em negócios relacionados ao porto Sudeste e a outros antigos ativos de Eike que a empresa possui no Brasil, apesar da recessão e da turbulência política provocada pela Lava Jato e pelo processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.

— Essa crise é muito severa, mas não se trata de algo incomum nos mercados emergentes — disse Fahlgren. — Estamos empregando capital no Brasil em um momento em que a maioria dos estrangeiros não está fazendo isso. Estamos criando empregos e ampliando os ativos e continuaremos fazendo isso.

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