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Dólar cai pelo 3º dia e chega a valer R$ 3,18; Bovespa sobe

Da redação | 30/06/2016 15:50

RIO e SÃO PAULO – O dólar comercial registra sua terceira queda consecutiva nesta quinta-feira, apresentando desvalorização de 1,23% e cotado a R$ 3,19, a menor cotação desde o dia 21 de julho do ano passado, quando fechou a R$ 3,17. Na mínima da sessão, a divisa chegou a valer R$ 3,186, enquanto na máxima subiu a R$ 3,247.

— Temos hoje um dia atípico em relação ao dólar, já que no último dia do mês há a formação da Ptax (taxa média) para a liquidação de contratos de câmbio futuro. Pela manhã, os ‘vendidos’ puxaram a cotação para baixo para terem uma liquidação mais favorável. A PTax fechou em R$ 3,20, o dólar voltou a subir um pouco, mas entraram os exportadores vendendo e a moeda voltou a recuar. Além disso, temos um cenário externo tranquilo hoje e um ambiente político doméstico menos hostil, que mantém um viés de baixa para a moeda americana – diz Ricardo Gomes, especialista em câmbio da corretora Correparti.

Segundo ele, o ‘novo’ Banco Central, presidido agora pelo economista Ilan Golfajn, já sinalizou que o câmbio é livre. O mercado interpretou a declaração como uma sinalização de que não há piso para o dólar.

— O BC antigo tinha como objetivo manter ‘com unhas e dentes’ um piso de R$ 3,50 para o dólar. Este novo BC ainda está estudando, mas certamente está vigilante para evitar que um dólar muito fraco prejudique nossas exportações. Até agora, o dólar está resistindo em cair abaixo de R$ 3,20. Mas há fluxo estrangeiro para o país e isso deve aumentar após a consolidação do impeachment da presidente Dilma, no segundo semestre. Nós mesmos estamos revisando nossa estimativa de dólar para R$ 3,20 em dezembro deste ano – diz Gomes, da Correparti, lembrando que os bancos centrais do Japão, europeu e da inglaterra estão atuando juntos para evitar os impactos do Brexit, o que significa afrouxamento monetário, depreciando o dólar.

No mercado acionário, o índice de referência da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que estava em queda pela manhã, inverteu o sinal e se mantém no campo positivo, com ganho de 1,1% aos 51.562 pontos.

Nos últimos dois pregões, a expectativa de que o Brexit leve a uma nova onda de estímulos monetários no mundo e a percepção de que o Banco Central brasileiro não baixará os juros tão cedo empurraram a moeda americana para menos de R$ 3,30 pela primeira vez em mais de 11 meses. A ausência do Banco central do mercado de câmbio também ajuda na desvalorização da moeda frente ao real. No exterior, o dóllar spot, índice que acompanha a variação da moeda americana frente a uma cesta de dez moedas, sobe 0,49%.

— Parece não haver mais piso para o dólar. O Banco Central não está atuando para segurar essa queda e, assim, o mercado vai testando para ver até onde a cotação pode cair. Vamos ter que esperar a manifestação de nossa equipe econômica para saber como ela vai agir, já que o dólar mais fraco afeta a balança comercial — afirmou Luiz Roberto Monteiro, operador da corretora Renascença.

Do outro lado do mundo, as bolsas chinesas fecharam com pouca variação nesta quinta-feira. Os investidores realizaram lucros após o movimento de recuperação desta semana devido às fortes vendas provocadas pela decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia (UE). O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, teve variação positiva de 0,08%, enquanto o índice de Xangai perdeu 0,07%. Em Tóquio, o índice Nikkei avançou 0,06%.

Nos países desenvolvidos, as Bolsas tiveram seu terceiro dia de alta. Na Europa, o índice de referência Euro Stoxx subiu 1,15%, enquanto a Bolsa de Londres ganhou 2,27%. Em Paris, o pregão registrou valorização de 1% e Frankfurt subiu 0,71%. Declarações do presidente do Banco da Inglaterra, Mark Carney, de que é favorável a uma redução dos juros no país, apesar das incertezas com o Brexit, trouxeram otimismo aos investidores. Carney disse que o Banco da Inglaterra tem um estoque de instrumentos para “aprofundar os estímulos monetários”.

Em Wall Street, o Dow Jones sobe 0,60%, enquanto o S&P 500 tem alta de 0,50%. O Nasdaq avança 0,52%.

Na Bovespa, entre as ações de maior peso, o Itaú Unibanco PN sobe 1,65% (R$ 30,11), enquanto a Ambev ON recua 0,73% (R$ 18,89). O Bradesco PN sobe 0,87% (R$ 25,26). A Petrobras ON perde 1,12% (R$ 11,44) e a PN perde 1,15% (R$ 9,40), em dia de desvalorização do petróleo no mercado internacional. Na Vale, o papel ON sobe 2,35% (R$ 16,08) e PNA registra valorização de 1,08% (R$ 13,02).

Na Oi (que não integra o Ibovespa) o papel ON tem baixa de 2,03% (R$ 1,93), e o PN, de 1,45% (R$ 1,35). Ontem, a 7ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) acatou nesta quarta-feira o pedido de recuperação judicial da Oi.

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