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Bolsa dispara 7% e dólar cai a R$ 3,65 em reação a áudios de Lula

Da redação | 17/03/2016 15:30

RIO – A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) dispara e o dólar comercial despenca nesta quinta-feira, com os investidores reagindo à divulgação de áudios de conversas entre a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula, na noite de quarta-feira. O índice de referência da Bolsa, o Ibovespa, salta 6,97%, aos 51.094 pontos — maior patamar desde julho de 2015. Já o dólar comercial opera em queda de 2,32% contra o real nesta quinta-feira, cotado a R$ 3,650 para compra e a R$ 3,652 para venda. Na mínima, moeda chegou a valer R$ 3,604.

Segundo analistas, os investidores interpretam que a contundência dos áudios pode agilizar a troca de governo. O mercado financeiro é, em grande parte, crítico à política econômica atual e reage com bom humor a notícias desfavoráveis à presidente Dilma.

BC SINALIZA REDUÇÃO DA INTERVENÇÃO NO CÂMBIO

Com a baixa do dólar, o Banco Central sinalizou que reduzirá a política de intervenção no câmbio. Depois disso, a queda do dólar diminui, com a cotação passando da faixa de R$ 3,60 para R$ 3,65.

Ainda não há indicação da intensidade da queda da oferta de contratos de swap, um tipo de instrumento que funciona como proteção contra a variação do dólar, já que corresponde uma venda de dólar no mercado futuro.

“O BC avalia que o atual ambiente internacional abre uma oportunidade para realizar parte de suas posições em swaps cambiais, diminuindo a intensidade das rolagens diárias”, limitou-se a dizer a assessoria de imprensa da instituição.

BB, PETROBRAS E ELETROBRAS DISPARAM

Na manhã desta quinta, o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff desceram juntos a rampa interna do Palácio do Planalto, chegando ao Salão Nobre para a posse do petista como ministro da Casa Civil. Lula foi recebido por uma plateia de deputados e senadores do PT e da base aliada com gritos de “Lula, guerreiro do povo brasileiro” e “Não vai ter golpe”. Em seu discurso, Dilma atacou frontalmente a força-tarefa da Lava-Jato e condenou a liberaçao das gravações de sua conversa com Lula pelo juiz Sérgio Moro.

Minutos depois da cerimônia no Palácio do Planalto, o juiz Itagiba Catta Preta, da 4ª Vara Federal de Brasília, concedeu nesta quinta-feira liminar para suspender a posse de Luiz Inácio Lula da Silva na chefia da Casa Civil. Para o magistrado, a questão é “complexa e também grave”, porque pode configurar crime de responsabilidade por parte da presidente Dilma Rousseff.

A notícia deu mais força aos papéis na Bolsa, embora o dólar tenha até ganhado algum fôlego. Segundo analistas, a suspensão da nomeação de Lula tem poucas implicações sobre a expectativa dos investidores.

— O mercado sobe em função do entendimento de que os áudios vazados elevam a probabilidade de um impeachment e, logo, de uma mudança de política econômica. Esse é o foco principal. Se o Lula vai continuar sendo ministro ou não não altera muito o cenário que está sendo traçado — afirmou Luiz Roberto Monteiro, operador da corretora Renascença.

As ações de estatais registram forte alta. A Petrobras ON salta 9,06% (R$ 10,47), e a PN avança 11,34% (R$ 8,05). A Eletrobras PNB sobe 5,64% (R$ 11,05), enquanto o Banco do Brasil dispara 14,81% (R$ 20,77).

— A forte alta de hoje da Bolsa, sobretudo o desempenho de companhias mais expostas ao governo, reflete uma aposta de que deve haver uma mudança de governo. O vazamento das conversas intensifica o sentimento de hostilidade da população com relação ao governo. Independentemente de críticas que afirmam que as gravações foram ilegais, o vazamento dos áudios deixam a impressão de que o cerco se fechou e, a não ser que aconteça um milagre, o governo não tem mais condições de continuar — afirmou João Pedro Brugger, da Leme Investimento.

Ontem à noite, os papéis de empresas brasileiras cotadas na Bolsa de Nova York já haviam disparado com a notícia nas negociações pós-fechamento de mercado.

AMBIENTE EXTERNO FAVORÁVEL

Globalmente, o pregão é favorável para moedas e ações de países emergentes, depois de o Federal Reserve (Fed, o BC americano) ter mantido, ontem, os juros no mesmo patamar em que estavam e ter sinalizado que o processo de alta das taxas nos EUA se dará em ritmo mais lento que o esperado até então.

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