‘Vivemos sob a ameaça de sermos presos’, conta jornalista turco

Bulent Korucu foi editor do “Zaman”, jornal que sofreu intervenção da Justiça turca em março, e agora está à frente do “Yarin’a Bakis” (“Olhar para o amanhã”), que será lançado em breve junto com colegas do antigo diário. Para Korucu, está cada vez mais difícil ser jornalista no país. Por outro lado, ele destaca a importância crescente da mídia num momento em que a “História turca é reescrita”.

Como é a sensação de ser jornalista na Turquia?

Ser um jornalista na Turquia é muito complicado. A liberdade de imprensa está sob ameaça. É muito difícil fazer o trabalho, e está ficando pior. Jornais estão sendo tomados e silenciados, jornalistas estão ficando desempregados. O mais preocupante é que estamos vivendo sob ameaça de sermos presos. É muito difícil para nós, e não tiramos da cabeça essas situações. Mas sabemos que, nestes dias, a mídia é mais importante do que antigamente. Então, penso que somos sortudos. A História turca está sendo reescrita, e os jornalistas de verdade estarão envolvidos nessa história, porém os outros também.

Após deixar o “Zaman”, o senhor decidiu criar um novo jornal. Como será o “Yarin’a Bakis”?

Um grupo de jornalistas, em sua maioria vindos do “Zaman”, está publicando o “Yarın’a Bakıs” (que significa “Olhar para o amanhã”). Sabemos que ele é muito amador quando o comparamos ao “Zaman” ou a outros. Mas estamos trabalhando sob condições muito primitivas e oportunidades limitadas. No entanto, estamos combinando nossa experiência com o espírito amador, e estamos mais felizes que outros jornalistas. Nosso lema é: “Se você tem palavras a dizer, até as asas de um pássaro alcançam seu destinatário.” Pois as pessoas têm muitas oportunidades de se comunicarem. Por isso não se pode silenciar a imprensa.

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