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Unesco duvida da possibilidade de recuperar totalmente Palmira

Da redação | 28/03/2016 22:10

DAMASCO — Restaurar a antiga cidade de Palmira — considerada Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco — e desfazer o dano feito pelo Estado Islâmico (EI) durante os dez meses em que ocupou a cidade milenar pode levar pelo menos cinco anos, na melhor das estimativas. Se, para autoridades sírias, a situação é melhor do que esperavam encontrar, a Unesco não é tão otimista. Segundo o chefe de Antiguidades da Síria, Maamoun Abdulkarim, cerca de 80% da cidade, incluindo o impressionante anfiteatro antigo usado pelo EI como cenário para as execuções, permaneceram de pé. O trabalho poderia começar dentro de um ano. Uma especialista da Unesco, no entanto, afirma ser uma ilusão acreditar que a cidade poderá voltar a ser o que era.

No fim de semana, tropas do regime sírio do presidente Bashar al-Assad, com o apoio da aviação russa, conseguiram retomar Palmira, conhecida como a Pérola do Deserto. Mas, durante o período em que extremistas permaneceram na cidade, destruíram joias de Palmira, como os templos de Bel e Baalshamin e o Arco de Triunfo, algumas torres funerárias e o Leão de Al-Lat. Isso sem contar a cidadela do século XIII, que sofreu graves danos durante os combates na cidade.

Abdulkarim disse que serão necessários pelo menos cinco anos para reconstruir os monumentos destruídos ou danificados.

— Temos pessoal qualificado, conhecimento e estudo, mas é necessária a aprovação da Unesco, e poderemos começar os trabalhos em um ano.

A Unesco está pronta para enviar equipe de especialistas para avaliar danos ao local. Mas Annie Sartre-Fauriat, membro da agência e historiadora especialista em Oriente Médio, é bem mais cautelosa, pondo em dúvida a capacidade síria de reconstruir Palmira.

— Quando ouço que vão reconstruir o templo de Bel, soa ilusório. Não se pode reconstruir algo que está em estado de escombros e poeira. Para construir o quê? Um novo templo? Talvez haja outras prioridades na Síria antes de reconstruir as ruínas — observou. — Não se pode esquecer tudo o que foi destruído e a catástrofe humanitária. Enquanto o Exército sírio estiver lá, não estou tranquila.

Putin oferece ajuda russa à reconstrução

Em um vídeo divulgado na segunda-feira, vê-se pela primeira vez o interior do museu da cidade, transformado em tribunal pelo grupo extremista.

— Os personagens das tampas dos sarcófagos foram martelados, todas as estátuas, derrubadas, decapitadas, quebradas — lamentou a especialista. — As lápides foram arrancadas de forma selvagem das paredes, provavelmente para serem vendidas pelo Daesh (acrônimo para o EI) no mercado de arte.

No domingo, a diretora da agência da ONU, Irina Bokova, e o presidente russo, Vladimir Putin, discutiram a situação por telefone. O líder russo afirmou que pode fornecer apoio imediato à missão da Unesco, assim que a situação de segurança permitir. E garantiu a Bokova que especialistas russos têm experiência na reconstrução de patrimônios sírios. A chefe da Unesco também conversou por telefone com o diretor do Departamento de Antiguidades Sírias e o convidou para ir à sede da agência nos próximos dias, para acompanhar a preparação da missão de especialistas. Em abril, a organização promoverá uma conferência sobre a reconstrução do patrimônio cultural do país.

— É importante para a resiliência, a unidade nacional e a paz — disse Irina.

O Exército sírio, apoiado pela aviação russa e por milícias, prepara-se agora para lançar ataque às cidades de al-Qaryatayn e Sojna, também sob o controle do grupo, nos arredores de Palmira.

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