Um legado inesperado para Obama

WASHINGTON — Barack Obama chegou à Casa Branca prometendo terminar com as guerras iniciadas por seu antecessor. Cerca de oito meses antes de deixar a presidência, ele detém um recorde, ainda pouco notado: está há mais tempo em guerra do que George W. Bush ou qualquer outro líder. Será o único presidente na História americana a servir dois mandatos completos em guerra.

Ele certamente deixará um número menor de soldados no front — pelo menos 4.087 no Iraque e 9.800 no Afeganistão — do que os 200 mil que herdou de Bush. Mas Obama também aprovou ataques contra grupos terroristas na Líbia, no Paquistão, na Somália e no Iêmen, num total de sete países onde foram realizadas ações militares.

Seus conselheiros mais próximos afirmam que Obama optou por operações menores e pelo uso de drones por estar ciente dos riscos de uma escalada nos conflitos e por ver com ceticismo o resultado das intervenções militares americanas. Depois de prometer que as tropas americanas deixariam o Afeganistão até o fim de 2016, ele afirmou que planeja deixar 5 mil soldados no país até o início de 2017.

“Os americanos aprenderam que é mais difícil terminar guerras do que começá-las”, disse em visita ao Rose Garden. “Mas é assim que as guerras terminam no século XXI”.

Mais do que Clinton ou Bush, Obama lutou contra militantes em múltiplos fronts, situação chamada pelos oficiais do Pentágono de “o novo normal”.

Não está claro se o sucessor de Obama atuará do mesmo modo. A democrata Hillary Clinton é mais receptiva à guerra convencional. Donald Trump já afirmou que bombardearia posições do grupo Estado Islâmico.

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