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Trump Tower ganha mais visitantes e manifestantes depois da candidatura do dono

Da redação | 30/04/2016 05:20

NOVA YORK — Desde a sua inauguração em 1983, a Trump Tower pertencia à mesma galáxia, talvez até à mesma constelação, que o Plaza Hotel, a ONU e o próprio Donald Trump: era uma das principais atrações urbanas da cidade, mas quase totalmente inútil na vida cotidiana. Poucos moradores da cidade tinham o interesse de entrar no prédio de 68 andares entre a 5a Avenida e a 56a Rua, exceto para visitar o Starbucks do local. Mas isso mudou.

Com a ascensão de seu dono e idealizador a favorito nas primárias do Partido Republicano, a Trump Tower tem tido ultimamente características de um verdadeiro cartão postal da cidade. Ela atrai a mesma mistura de desprezo e reverência que o seu principal ocupante. Também recebe os turistas, mais dispostos do que nunca a ver o candidato-celebridade em seu hábitat natural. Além disso, ganhou a fugaz atenção de nova-iorquinos, que hoje param regularmente na porta do local para fazer selfies.

A torre também se tornou um imã de mais de 200 metros para uma série de protestos, grandes ou pequenos. É um teatro urbano improvável — e indisciplinado — para um quarteirão mais conhecido pela cena de compras do filme “Bonequinha de Luxo”, estrelado por Audrey Hepburn e lançado em 1961.

Em setembro, um manifestante com capuz estilo Ku Klux Klan e uma placa que dizia “Tornem os EUA racistas novamente” (uma alusão ao lema de campanha de Trump, que é “fazer os EUA grandes de novo”) brigou com seguranças da Trump Tower. Em dezembro, cerca de 200 pessoas marcharam no local, acusando Trump de racismo e fascismo.

Em meados de março, num dia em que Trump conseguiu três vitórias em primárias estaduais, manifestantes exibiram um grande letreiro com a mensagem “Construa gentileza, não muros” (em resposta a uma das promessas da sua campanha: construir um muro na fronteira entre EUA e México). No dia seguinte, dezenas de ativistas contra armas simularam que estavam mortos — em protesto contra a declaração do pré-candidato de que ele poderia “parar no meio da 5a Avenida e matar alguém, e mesmo assim não perderia votos”. O maior protesto até hoje aconteceu alguns dias depois, quando centenas de pessoas marcharam 1,12 quilômetro do Trump International Hotel and Tower, outro prédio do bilionário, que fica na Columbus Circle, até a Trump Tower, na 5a Avenida.

Tecnicamente, a entrada da torre é um espaço público, apesar de ter um dono privado — ele é um de mais de 500 locais do tipo na cidade. Entretanto, ainda não está claro se protestos no lobby estão permitidos no acordo. Os donos podem estabelecer suas próprias regras para os espaços, de acordo com o professor de planejamento urbano da universidade de Harvard, Jerold Kayden, desde que elas sejam “razoáveis”. O Departamento de Polícia de Nova York não respondeu a pedidos de comentários sobre os protestos na Trump Tower, e nem sobre os desafios que a polícia enfrenta no edifício.

Nesse setor extremamente luxuoso da 5a Avenida, que abriga Bergdorf Goodman, Harry Winston, Henry Bendel e outras lendas do varejo, o estilo de Mr. Trump, que deslumbra muita gente — principalmente desde o lançamento da campanha presidencial —, não parece se encaixar muito bem. Mas uma pesquisa não científica com várias vendedoras da Bergdorf, guardas de segurança e até um condutor de triciclo concluiu que a campanha não trouxe muitos distúrbios para a avenida.

Mesmo sem protestos formais, a torre do bilionário constantemente é palco de comentários espontâneos:

— Nós vemos notícias sobre ele na televisão daqui — afirma Karen Latter, que estava em Nova York a turismo com seu marido e suas duas filhas. Ela vinha de Leicester, Inglaterra, onde Trump também monopoliza o noticiário. — Para ser sincero, ele não deixa uma impressão muito boa.

— Nem um pouco — completa uma das suas filhas, Suzanne Latter. — Pelo menos nós achamos o nome dele engraçado — retifica. Segundo Suzanne, na região da Inglaterra onde ela mora, “trump” é uma gíria para flatulência.

Mas a Trump Tower recebe uma boa parcela de visitantes respeitosos como Al Wilson, um filiado ao Partido Democrata que se tornou voluntário de Trump e convocou um homem de 18 anos, amigo de sua neta, para distribuir panfletos do candidato na calçada.

— Não dê para os turistas — instruiu ao aprendiz, excluindo, assim, quase todos que caminhavam por ali. — Eles não podem votar.

Wilson afirma que tem orgulho de ser da mesma cidade que o magnata:

— Eu nunca o vi pessoalmente, mas sinto que já o encontrei, porque eu cresci junto com ele em Nova York — afirmou.

Dentro da torre, onde turistas se apoiam nas paredes cor de salmão, havia alguns indícios da aspiração do seu dono à Casa Branca além dos bonés “Make America Great Again” e um único poster de campanha, num elevador.

Quem olha para a construção não tem dúvidas quanto à identidade do seu idealizador (ela é mais discreta a respeito de seus outros residentes, entre os quais já esteve Chuck Blazer, o ex-dirigente de futebol envolvido na investigação da FIFA. Ele tinha dois apartamentos na Trump Tower, um para ele próprio e outro para os seus gatos). Duas fileiras de adesivos dourados com a letra “T” adornam as portas, enquanto um recepcionista observa tudo estático entre dois “T”s gigantes. O Bar Trump oferece coquetéis, e o Trump Grill, um menu pelo preço fixo de US$ 23. Caixas de vidro mostram a linha de joias da filha do bilionário, Ivanka Trump, abotoaduras personalizadas e um livro, “Trump Tower”, que descreve a si próprio como “O romance mais sexy da década”.

— Lá dentro tem espelhos por toda a parte — observou Kendall Wright, estudante da Mercy College, uma universidade em Nova York, que, até então, só tinha entrado na Trump Tower para ir ao Starbucks.

Há outras avaliações que não são tão emplogadas — principalmente desde que Trump cresceu na disputa republicana. O site Yelp, em que usuários avaliam estabelecimentos, dá uma média de três estrelas (a melhor possível é de cinco) para a Trump Tower, por exemplo. Um quesito que todos aplaudem, entretanto, é a limpeza dos banheiros públicos no local.

— Certamente é um prédio alto, mas deixa a desejar quando entramos nele — avaliou a usuária Rebecca W., de Baton Rouge, Louisiana, em janeiro. Ela deu três estrelas.

— É possível sentir a riqueza naquelas paredes de bronze — foi o que escreveu Jason M., de Manhattan, em julho de 2014. Ele avaliou o local com cinco estrelas.

— Dinheiro claramente não compra um cabelo bom — escreveu Terri S., de Carmel, Indiana, no começo de abril. Uma estrela.

Na ausência de Trump, alguns curiosos e raivosos se contentam com John Thomas, o concierge da Trump Tower durante oito horas por dia. Para as massas, ele é o que há de mais próximo do magnata — pois usa gravata borboleta, colete listrado, luvas brancas e outros trajes do tipo.

Ele estima que seja fotografado em frente às portas de vidro cerca de cem vezes por dia.

— Algumas pessoas já tiraram fotos minhas e depois me mandaram de volta — disse, pouco depois de posar com duas jovens sorridentes. — Foi quando eu percebi que estava no cartão de natal delas.

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