Taxas de violência armada diminuem no Brasil, mas ainda são altas

RIO – A tragédia na boate Pulse, em Orlando, reacendeu o debate sobre o comércio de armas nos Estados Unidos. Os defensores da proibição veem nessa medida a possibilidade de reduzir os ataques e o número de homicídios no país, enquanto aqueles que querem manter a liberação entendem que os cidadãos têm o direito de se defender. Em meio a esse debate, inúmeros estudos têm demonstrado haver uma correlação entre armas em circulação e a incidência de homicídios. Quanto mais armas, mais mortes. Essa relação, contudo, não dimensiona o grau em que se encontra a violência no Brasil.

Embora a venda e a posse de armas tenham várias restrições legais, os dados mais recentes indicam que o país fechou o ano de 2014 com 59.627 vítimas de homicídios. A adoção do Estatuto do Desarmamento ajudou a frear o número de mortes, mas as taxas brasileiras continuam em patamares ainda elevados. Cerca de 10% dos homicídios do mundo acontecem no Brasil.

O estudo Atlas da Violência 2016, desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FPSP), relevou também que o Brasil tem uma taxa de 29,1 homicídios para cada 100 mil habitantes, a maior já registrada desde 2004. Apesar de uma realidade bastante distinta do ponto de vista cultural, social e econômico, a taxa brasileira é sete vezes a registrada nos EUA no mesmo período: 3,9 homicídios para cada 100 mil habitantes. Em 2014, segundo dados do site especializado Gun Violence Archive, houve nos EUA 12.593 homicídios por armas de fogo.

Do total de homicídios no Brasil em 2014, cerca de 76% (44.861) foram causados por disparos de armas de fogo. Essa relação produziu uma taxa de 22 casos para 100 mil habitantes. Nos EUA, do total de homicídios em 2014, aproximadamente 60% envolveram o uso de armas de fogo, segundo um levantamento feito pelo site Statista. Apesar dos baixos indicadores, os Estados Unidos têm taxas de homicídios por armas de fogo bem superiores a países como a Alemanha (0,19), Itália (0,71) e França (0,06), de acordo com dados de 2012 de um estudo da ONU.

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