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Sobreviventes dos bombardeios de Hiroshima e Nagasaki tentam reconstruir suas vidas e combatem o armamento nuclear

Da redação | 27/05/2016 05:20

HIROSHIMA — Pouco mais de 70 anos desde os bombardeios dos EUA nas cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki se passaram até que um presidente americano visitasse algum dos locais afetados pelos ataques. Nesse tempo, os sobreviventes não apenas tornaram-se história: cada um deles tem suas próprias histórias para compartilhar com o mundo. Com todos os olhares voltados para a região devido à visita de Obama, essas histórias começam a aparecer. A força da tragédia é tamanha que uma quantidade considerável dos sobreviventes passaram o restante de suas vidas brigando pelo desarmamento nuclear.

Uma delas é a de Setsuko Thurlow. Ela repete tanto o ocorrido para crianças do mundo todo que certamente nunca se esquecerá dele — ainda que, provavelmente, não fosse se esquecer de qualquer forma. Ela tinha 13 anos no dia da explosão e havia sido recrutada pelo governo japonês para decodificar mensagens complexas.A bomba foi detonada enquanto estava na sede do Exército. Em segundos, o edifício foi abaixo e ela sentiu os detritos em cima de si mesma. Era impossível se mover. As trinta meninas que estavam com ela no local foram queimadas vivas. Suas irmãs e sua sobrinha também faleceram.

A tia e o tio favorito de Setsuko sobreviveram — mas por pouco tempo. Manchas rochas começaram a aparecer pelos corpos deles uma semana depois. Era um indício de superexposição à radiação. Pouco depois, eles também morreram. E entre as sobreviventes, muitas também foram expostas a níveis excessivos de radiação e, como resultado, perderam os cabelos. A própria Setsuko sofreu exposição, mas não na quantidade das outras.

Em 1954, Setsuko, tomou uma atitude inusitada: foi estudar nos EUA. Foi lá, inclusive, que conheceu seu futuro marido. Entretanto, nem sempre os americanos acolhiam-na de braços aberto. Alguns disseram, inclusive, para ela voltar ao Japão. Entretanto, em vez de desanimar, os percalços a deixaram ainda mais obstinada.

— Eu saí do trauma com um comprometimento, de que a não ser que eu divulgasse toda a situação, ninguém saberia o que realmente aconteceu em Hiroshima e Nagasaki — disse ela, ao site do canal de TV americano NBC. — Eu decidi não ficar de boca calada, e continuei a falar publicamente sobre tudo.

É isso que ela faz até hoje. Foi inclusive considerada Personalidade do Ano pela Associação pelo Controle das Armas (Arms Control Association) pelo seu trabalho em campanhas contra o armamento nuclear. Mês passado, ela discursou para um grupo de trabalho das Nações Unidas sobre desarmamento nuclear, ao qual China, EUA, Rússia, Inglaterra e França se opuseram, com o argumento de que o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares já é um caminho sólido para alcançar essa meta. Mas esse argumento não parece muito forte para Setsuko, especialmente depois de uma projeção dos EUA de um gasto de US$ 348 bilhões para manutenção e modernização do armamento nuclear do país.

É parecido com o caso de Kenji Kitagawa, de 81 anos. No dia do ataque, tinha apenas dez. O atual professor emérito da Universidade de Hiroshima, que serviu por mais de vinte anos como guia voluntário do Parque Memrial da Paz de Hiroshima, estava na escola quando a tragédia se passou. Foi um dos poucos da sua sala a sobreviverem. Ele já viajou para os EUA, Europa, China, Rússia e Índia para falar de suas experiências. Kitagawa afirmou ao jornal americano Stars and Stripes:

— O que me move até aqui é a culpa de um sobrevivente e as vozes dos meus colegas de classe que morreram na explosão e me dizem para nunca deixar Hiroshima e Nagasaki acontecerem novamente — afirmou. Ele diz que a visita de Obama lhe traz um conforto. — Ele vir aqui me dá a esperança de que o mundo pode mudar, não importa o quão pequenos sejam os passos.

Keiji Tsuchiya, de 88 anos, morador de Kasaoka, no Japão, também sente que a visita do líder americano pode ser uma indicação de melhora:

— Espero que ele entenda o que aconteceu debaixo daquela nuvem gigante para sentir a ameaça que armas nucleares representam — afirmou ao jornal japonês The Asahi Shimbun.

Tsuchiya foi salvo pela bomba que antecipou o fim da Segunda Guerra Mundial. Isso porque, na época, ele treinava para tornar-se um manipulador de torpedos suicida. Entretanto, foi apenas há doze anos, ao ser diagnosticado com câncer e hepatite aguda, que Tsuchiya se dedica a deixar um legado melhor para seus herdeiros. Já viajou para os EUA quatro vezes para falar sobre suas experiências como sobrevivente e participou de conferências da ONU para revisar o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares.

— Sinto que (Obama) renovará seu compromisso com a busca por um mundo sem armas nucleares quando vir as consequências trágicas aqui — disse.

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