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Sanders deixa porta aberta para apoiar Hillary contra Trump

Da redação | 09/06/2016 05:20

WASHINGTON – O futuro da campanha de Bernie Sanders, que criou um movimento de esquerda conquistando os jovens americanos, pode ser decidido hoje na Casa Branca. O senador por Vermont, dono de 12 milhões de votos nas primárias, se encontrará com o presidente Barack Obama sob pressão para apoiar Hillary Clinton, que garantiu numericamente a candidatura democrata para as eleições de novembro. O desafio é fazer isso sem trair a legião dos seguidores, ainda mais depois que o senador ensaiou um caminho que poderia abrir a interpretação para sua desistência, mas depois acabou conclamando seus apoiadores a continuarem na luta por sua “revolução política”. Mas até seus voluntários, que fizeram a diferença na campanha, já sentem o desânimo.

Emocionado, Sanders falou na madrugada de ontem na Califórnia, onde teve resultados piores do que era previsto pelas pesquisas. Quando parabenizou a democrata, colega de partido, pelas vitórias obtidas, o público presente vaiou mais que quando foi dito o nome do rival Donald Trump, indicando o grau de rejeição a Hillary e os problemas que ela terá para unir a legenda. Para analistas, ao mesmo tempo que deixou a porta aberta para apoiar a adversária, também reforçou o discurso de sua candidatura:

— Isso é mais que sobre apenas Bernie Sanders, isso é sobre todos nós juntos — disse o senador, que ao fim de seu discurso, contudo, voltou a encorajar seus apoiadores: — Vamos lutar muito para vencer a primária de Washington e, então, vamos levar a nossa luta por justiça social, econômica, racial e ambiental a Filadélfia (que receberá a convenção do partido, no fim de julho). Vamos continuar a lutar por cada voto e cada delegado.

A última prévia, contudo, define apenas 20 votos no Colégio Eleitoral, que não fará nenhum diferença no cenário. Após as primárias de terça-feira, quando seis estados foram às urnas, Hillary conta com 2.777 delegados, segundo o “New York Times”, com grande folga sobre os 2.383 necessários para garantir a nomeação. Excluindo os 712 superdelegados — os políticos da elite do partido que votam livremente na convenção e que apoiaram maciçamente a ex-secretária de Estado e representam 14,9% do total — Hillary tem 2.203 delegados. São só 180 a menos que o necessário, contra 1.828 de Sanders. A diferença entre os dois, que era de 290 delegados, subiu para 375 após a última Superterça.

‘Clima de despedida’

Hillary venceu em 28 estados, contra 22 de Sanders. A ex-primeira-dama também leva vantagem no total de votos populares, tendo recebido o apoio de 15,7 milhões, contra 12 milhões para o senador. Ou seja, venceu em todos os aspectos — e já iniciou o foco total contra Donald Trump. O maior golpe no senador, contudo, foi a derrota na Califórnia. Ela venceu por uma vantagem de 12,6 pontos percentuais, muito acima da ligeira vantagem de dois pontos que as pesquisas apontavam nos últimos dias antes da disputa.

O “New York Times” afirmou que a campanha de Sanders já dispensou grande parte de sua equipe ontem. Um voluntário da campanha do senador em Washington, que pediu pra não ser identificado, afirmou que o que mais pesou foi a derrota na Califórnia. O grupo contava com uma vitória no principal estado do país para continuar com argumentos para seguir lutando.

— Agora sabemos que nosso ideal é melhor, mas não temos meios de comprovar que ele foi aceito pela maioria da população. É triste, acredito que o evento desta quinta-feira (hoje) aqui em Washington terá mais um clima de despedida que um clima de empolgação — disse ele ao GLOBO.

Nada deve ocorrer, contudo, antes do encontro de Sanders com Obama, previsto para o fim da manhã de hoje. Segundo Josh Earnest, porta-voz da Casa Branca, o presidente “respeita a decisão de Sanders sobre a própria campanha”. Para ele, nenhuma expressão de apoio a Hillary de Obama será pública antes do encontro.

— Acredito que o presidente certamente vai parabenizar o senador por sua campanha extraordinariamente bem-sucedida. Ele conseguiu dinamizar não apenas milhões de americanos em todo o país, sejam democratas ou independentes, mas também conseguiu mobilizar uma nova geração de ativistas políticos — disse Earnest.

Esta agenda é o que mais dificulta o embarque de Sanders na campanha de Hillary. O senador passou grande parte da disputa criticando o sistema político, afirmando que a rival é próxima dos interesses de Wall Street e que o país “precisa de uma revolução”. Não será fácil mudar de posição sem parecer uma traição à causa que defendeu até agora. Uma agenda mínima para Hillary — que já fez uma campanha muito mais à esquerda que o habitual — deve ser uma das condições para seu apoio. E como Sanders prometeu que participaria das derradeiras primárias democratas na terça-feira, muitos acreditam que ele não tomará nenhuma decisão até lá.

Hillary levou mais tempo

Em 2008, Hillary demorou quatro dias para apoiar formalmente o então candidato Barack Obama, mesmo tendo muito menos a perder que Sanders atualmente. Além de suas propostas mais radicais, ele tem 74 anos e dificilmente terá fôlego para mais uma campanha presidencial daqui a quatro ou oito anos — caso Hillary se consagre nas urnas.

Outros democratas, segundo o “Washington Post”, afirmam que Sanders pode ficar com a fama de intransigente se insistir na campanha mesmo sem chances reais de vitória e sob o risco de favorecer Trump. A senadora Claire McCaskill disse que ele é necessário para incentivar os jovens a votarem em Hillary:

— Eu sei que ele se preocupa profundamente com a possibilidade de deixar Donald Trump perto dos controles das armas nucleares — disse.

A campanha de Hillary já veicula peças na TV que mostram Trump ridicularizando um repórter com deficiência física, com pais de deficientes criticando o magnata. Em outra propaganda, americanos de todas as origens, religiões e condições a apoiam, um contraste com a imagem de segregação dos discursos do republicano.

— As pessoas precisam dormir um pouco, acordar e pensar sobre o rumo a seguir — disse Robby Mook, gerente de campanha de Hillary, à CNN.

O republicano, que acenou nesta semana aos eleitores independentes de Sanders que se sentiam frustrados “pela decisão dos superdelegados”, não é o único a cortejar o senador e seus milhões de votos. Segundo o “New York Times”, líderes dos partidos Verde e Libertário também acenaram aos independentes anti-Hillary.

Apesar das ressalvas quanto a Trump, muitos republicanos de olho num retorno à Casa Branca tentam mediar uma forma de tornar o magnata mais amigável. O bilionário deverá ter uma reunião hoje, em Nova York, com os maiores doadores do Comitê Nacional Republicano.

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