‘Resposta europeia a crise migratória gerou tendência aos extremos’

BERLIM – O sociólogo Armin Nassehi, da Universidade de Munique, diz que a falta de competência dos governos e da União Europeia na abordagem da crise dos refugiados terminou favorecendo as posições extremistas.

Como o senhor explica o fenômeno dos “caçadores” de imigrantes nas fronteiras do Leste Europeu?

No ano passado, predominava a disposição à ajuda aos refugiados. Muitos continuam ajudando, mas desde que os políticos e a União Europeia se mostraram divididos e incapazes de encontrar soluções, aumentou a tendência aos extremos.

Há risco de expansão da extrema-direita como reação à crise dos refugiados?

A extrema-direita está instrumentalizando o tema dos refugiados para conseguir mais adeptos. E realmente está ficando mais forte, como na França ou na Alemanha, porque os governos não têm mostrado competência na solução da crise. A rota dos Bálcãs foi fechada, mas o problema não foi solucionado.

Esse comportamento é manifestação de medo dos aspectos econômicos da imigração ou do terrorismo ou é pura xenofobia?

É xenofobia e, como todo tipo de preconceito contra o estranho, resulta de uma visão estereotipada dos refugiados. Há uma tendência aos extremos porque as pessoas têm dificuldade em entender o momento atual. Na falta de explicações, buscam interpretações simples. Mas se o fenômeno será passageiro ou se ficará como uma ameaça aos direitos humanos na Europa, vai depender do sucesso ou não das políticas de integração nos países.

Por que o tema divide tanto os europeus?

Desde a queda da Cortina de Ferro, um assunto não empolgou tanto os europeus quanto os refugiados. É um momento histórico. Esse fluxo em massa poderá mudar a Europa, que tem de se organizar como região de imigração. Construir cercas e muros só vai ajudar a agravar a crise e aumentar as chances eleitorais dos extremistas.

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