Relatório da Anistia mostra alta receptividade a refugiados pelo mundo

RIO – Uma pesquisa encomendada pela Anistia Internacional chegou à conclusão de que quatro em cada cinco pessoas apoiam a entrada de refugiados em seu país, comunidade ou até residência. Segundo a ONG pró-direitos humanos, a estatística mostra um sinal de como governos “precisam agir com mais determinação” para ajudar aqueles que fogem da guerra, da fome e da perseguição. Entre os principais países em termos de receptividade, estão China, Alemanha e Reino Unido. O Brasil cai no índice. No entanto, quando o assunto se torna a recepção nas próprias casas dos entrevistados, nenhum país tem índice que supere os 50% a favor.

Numa escala global, dois terços dos que participaram do levantamento (feito pelo instituto GlobeScan em 27 países) afirmaram que os governos de seus países deveria fazer mais para ajudar os refugiados. Em 20 dos 27 países consultados, ao menos 75% dos entrevistados disseram que aceitam a entrada de refugiados em suas respectivas nações. Apenas 17% se mostram expressamente contra.

Na Alemanha, que recebeu mais de um milhão de solicitantes de asilo, o acolhimento continua aparentemente em alta, apesar do crescimento de movimentos xenofóbicos na esteira da política de “portas abertas” da chanceler federal Angela Merkel. Enquanto em vários países a percepção de que o governo deveria fazer mais pelos refugiados beira os 90%, por lá fica em 76%. E 96% dos entrevistados se dizem a favor da entrada das vítimas da guerra. Um único sinal serve de contraponto: só 10% dos alemães alegam disposição para receber refugiados em suas casas.

A China é a grande surpresa do relatório. O país se msotra muito disposto em todos os índices de receptividade: é o que mais cobra do governo ação pelos refugiados (86%), se diz disposto a recebê-los no país (96%) e está disparadamente à frente das outras nações ao dizer que aceitariam tê-los em casa: 46%, contra 29% do Reino Unido e 20% da Grécia.

— É um indicador interessante de um estado de espírito — disse a vice-presidente da AI na Europa, Gauri van Gulik. — Vale a pena considerar a resposta chinesa ao se discutir como outros países deveriam receber mais refugiados. Talvez na China haja espaço para pensar mais nisso.

No Brasil, os índices de aprovação aos refugiados são relativamente bons, na comparação com os demais países. O país é o quinto que mais cobra do governo nacional mais ação pelos refugiados (80%) e 81% dos respondentes se dizem a favor da entrada deles. No entanto, apenas 6% afirmam aceitá-los em suas casas. Os dois últimos índices colocam o Brasil na 19ª colocação, dentre os 27.

Quem dá um sinal de baixa receptividade clara é a Rússia, a pior colocada no ranking. Por lá, menos da metade dos respondentes dizem ser a favor da entrada de refugiados — apesar do grande território e das vastas áreas inabitadas no país. Quando se pergunta “você pessoalmente aceitaria que refugiados fossem para sua casa?”, apenas 1% dos russos dizem “sim”. A Polônia também mostra resultados de pouca receptividade, o que pode se manifestar no resultado recente das urnas: o país elegeu recentemente um governo de direita que tem como um dos principais discursos o euroceticismo e o veto a refugiados.

Lideram o ranking geral, somados os três critérios e maneira decrescente, a China, a Alemanha, o Reino Unido, o Canadá e a Austrália.

“Não esperávamos ver níveis tão firmes de solidariedade para com os refugiados, mas os resultados refletem a comovente compaixão humana com aqueles fugindo da guerra. As pessoas parecem mais comprometidas como os princípio da lei internacional do que o que seus governos fazem”, disse o secretário-geral da ONG, Salil Shetty.

Colaboraram Breno Salvador (texto) e Daniel Lima (infografia)

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