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Referendo que tirou Reino Unido da UE acirra disputa nas Malvinas

Da redação | 28/06/2016 04:50

BUENOS AIRES – Do lado dos argentinos, cautela e expectativa. Por parte dos cerca de 3 mil habitantes das Ilhas Malvinas, tensão e preocupação. A única sensação que ambos compartilham é a de que a vitória do Brexit poderia impactar na disputa entre a Argentina e o Reino Unido pela soberania das Ilhas Malvinas.

Nos últimos dias, analistas e dirigentes políticos argentinos asseguraram que o resultado do referendo poderia fortalecer a posição da Casa Rosada, já que fora da União Europeia (UE) o Reino Unido perderia importantes aliados em sua história queda-de-braço com a Argentina. Em meio ao debate, Julian Assange, criador do WikiLeaks, asilado na embaixada do Equador em Londres, afirmou que o triunfo do Brexit tornará mais difícil qualquer tipo de entendimento entre os dois países.

Em teleconferência com alunos da Universidade Nacional de Buenos Aires, Assange opinou o surgimento de um forte sentimento nacionalista no Reino Unido “tornará muito difícil qualquer negociação”.

Nas ilhas, o clima é de incerteza. Pouco após confirmado o resultado do referendo, o governo das Falklands (como são chamadas as Malvinas pelos britânicos) divulgou nota oficial na qual informou estar “trabalhando com setores públicos e privados para investigar o impacto do Brexit sobre as ilhas”. Na mesma nota, as autoridades das ilhas afirmaram que “garantiremos que os interesses do território serão levados em consideração e manteremos os benefícios que temos, particularmente em relação ao acesso comercial”. Outra das preocupações do governo local das Falklands é que não sejam afetadas as importações e exportações entre as ilhas e os países que integram a UE.

Em abril passado, o representante das Malvinas no Reino Unido, Sukey Cameron, manifestou sua preocupação pelas consequencias do referendo britânico. Ainda não está claro com que tipo de respaldo internacional contará Londres a partir de agora em sua política de defender a soberania britânica sobre as Malvinas.

— Se o Reino Unido não for mais membro da UE, poderia perder-se o apoio de um grande número de Estados que sim são membros e isso poderia, por sua vez, levar a Argentina a ser muito mais agressiva — dissera Cameron.

Na mesma época, o representante das Ilhas garantiu que um eventual triunfo do Brexit seria “catastrófico” em termos econômicos, já que, segundo ele, 70% do crescimento das Malvinas depende do acesso ao mercado europeu.

Pouco antes do referendo, o secretário de Defesa britânico, Michael Fallon, visitou as ilhas e prometeu que a proteção militar às Falklands seria mantida, seja qual fosse o resultado.

O governo do presidente Mauricio Macri reagiu com tranquilidade e evitou antecipar futuros cenários, favoráveis ou desfavoráveis para o país. A ministra das Relações Exteriores, Susana Malcorra, negou que a saída do Reino Unido da UE signifique, automaticamente, o início de uma negociação bilateral sobre a soberania das Malvinas.

— Não estamos num processo de negociação com o Reino Unido, não aconteceu nada neste sentido… temos de trabalhar na reconstrução da confiança mútua — declarou a chanceler argentina.

Segundo ela, “ainda é cedo” para saber como impactará o referendo na questão Malvinas.

— Temos de ser prudentes. A questão Malvinas tem uma longa história em ambos os países. Queremos avançar em esquemas de negociação e diálogo — enfatizou a ministra, que é candidata à secretaria geral das Nações Unidas.

Já analistas e dirigentes argentinos foram mais ousados em suas avaliações sobre o Brexit. Para Daniel Filmus, ex-secretário sobre Assuntos Relativos às Malvinas do governo Cristina Kirchner, “está se abrindo uma oportunidade história e esperamos que o governo saiba aproveitá-la”.

— Todos os organismos multilaterais e todos os blocos do mundo apoiam a posição argentina. Os únicos potenciais aliados (de Londres) eram os europeus, porque pertenciam à mesma comunidade — disse Filmus, atual deputado do Parlamento do Mercosul.

Segundo ele, a partir de agora “cada país europeu poderá definir sua posição de acordo a suas tradições em relação ao colonialismo”. Na opinião do ex-vice chanceler Andrés Cisneros, a vitória do Brexit “gera uma eventual perda de apoio (aos britânicos) dentro do bloco”.

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