Rainha Elizabeth 'faz deputado refém' antes de discurso no Parlamento

LONDRES — A rainha Elizabeth II revelou nesta quarta-feira os planos do primeiro-ministro britânico, David Cameron, para uma agenda de reforma social. A cerimônia do seu discurso anual no Parlamento é cercada de tradições, incluindo a manutenção de um deputado como refém pelo Palácio de Buckingham até que a rainha retorne sã e salva da reunião — legado de uma época em que existia a possibilidade de que isto não acontecesse.

No Parlamento, a monarca anunciou que o pacote de medidas poderá criar até 20 novas leis após a realização do referendo que decidirá sobre a permanência ou não do Reino Unido na União Europeia. Os temas da reforma incluem o combate ao extremismo, a adoção infantil e a assistência às camadas mais pobres da população.

Em um comunicado divulgado antes do discurso, Cameron destacou que estabelece um claro programa de reformas sociais, para derrubar os obstáculos e permitir que todos desfrutem de oportunidades de prosperar.

— Meu governo fará uso da economia em fortalecimento para fornecer segurança aos trabalhadores, aumentar as oportunidades de vida para os mais desfavorecidos e reforçar as defesas nacionais — disse a rainha, enquanto portava uma coroa com 3 mil diamantes.

CERIMÔNIA DE TRADIÇÃO

O discurso anual da rainha é um evento de grande importância na vida política do Reino Unido. É neste momento que o governo pode revelar até 30 novos projetos de lei e tentar surpreender os eleitores com medidas atrativas.

Desde que o rei Carlos I ordenou a detenção de cinco deputados em 1642, nenhum monarca colocou os pés na Câmara dos Comuns. Tradicionalmente, um emissário da Câmara dos Lordes, conhecido como Black Rod, vai buscar os deputados para que assistam ao discurso na Câmara Alta. No entanto, a sua primeira aproximação é rejeitada com uma porta fechada para reafirmar a superioridade da Câmara Baixa.

Além disso, o subsolo do é cuidadosamente revisado por medidas de segurança. Este procedimento começou em 1605, quando houve um complô católico liderado por Guy Fawkes para assassinar o rei britânico.

REFERENDO EM BREVE

Melhorar a situação das prisões e novas medidas contra o extremismo ou a corrupção foram alguns temas abordados no discurso. No entanto, a cerimônia deste ano foi permeada pela polêmica que toma a vida britânica atual: a possível saída do país do bloco europeu.

Enquanto muitos dos companheiros de Cameron no Partido Conservador dizem que ele vem atrasando o programa legislativo por causa do referendo do próximo dia 23 de junho. O seu porta-voz negou as acusações, afirmando que o governo está lidando com questões controversas.

No entanto, Cameron precisará de uma grande vitória para reunir seu partido fragmentado por conta das discussões sobre a saída do país da UE.

— Muitos conservadores ficam cada vez mais preocupados que, no afã do governo sobre o referendo, eles estejam diluindo elementos-chave do seu programa legislativo — disse Iain Duncan Smith, ex-ministro do Trabalho e Aposentadoria britânico.

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