Professor e quatro alunos são julgados por vídeo satírico sobre EI

CAIRO — Um professor e quatro alunos estão sendo julgados pela Justiça egípcia após terem gravado um vídeo satírico sobre o Estado Islâmico. A brincadeira, que acabou vazando pela internet, levou o grupo de cristãos a enfrentarem acusações de blasfêmia contra o islã — além de três meses de prisão para os adolescentes entre 15 e 16 anos, que só foram terminados porque os seus pais pagaram uma fiança para libertá-los.

Durante a gravação, os alunos riem enquanto fingem rezar, recitam trechos do Alcorão e fazem referência às decapitações cometidas pelo grupo jihadista. Em entrevista ao jornal “El Mundo”, o professor relata que a brincadeira surgiu espontaneamente em uma viagem escolar, sem a intenção que o vídeo fosse publicado mais tarde.

— Todo mundo sabe que o Estado Islâmico não tem nada a ver com o islã. Não são muçulmanos e nostra intenção não era rirmos do islã — afirmou Gad Yusuf, que diz que sua vida virou uma tortura desde então. — Os cristãos da comunidade foram forçados a assinar a minha expulsão e da minha família da aldeia para minimizar a ira e eu perdi meu trabalho como professor de inglês.

No ano passado, o professor foi condenado em primeira instância a três anos de prisão pela filmagem. Já os alunos ficaram presos por três meses, mas foram libertados após o pagamento de cerca de 1,6 mil euros pelas suas famílias, segundo relatou um dos pais ao “El Mundo”. O julgamento dos adolescentes no tribunal deverá acontecer na quinta-feira.

Desde 2006, a legislação egípcia prevê que aqueles que difundem ideias extremas para incitar a luta, insultar uma religião ou prejudicar a unidade nacional podem enfrentar entre seis meses e cinco anos de prisão — o que é muito criticado por ativistas locais de direitos humanos.

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