Procuradoria volta a pedir 19 anos de prisão para marido de infanta Cristina

PALMA DE MALLORCA, Espanha — A princesa Cristina, irmã do rei Felipe VI, se sentou mais uma vez no banco dos réus ao lado de outros 16 acusados — incluindo o seu marido, Iñaki Urdangarin. Eles são julgados pelo caso Noos, um escândalo por crimes fiscais e corrupção que abala a realeza espanhola. Nesta sexta-feira, a Procuradoria voltou a pedir uma sentença de 19 anos para Urdangari, além de uma multa de 980 mil euros por delitos fiscais.

Se for condenada, Cristina pode enfrentar até oito anos de prisão. Os argumentos finais começam na sexta-feira e estão previstos para terminar na terça-feira. No longo processo, a infanta já negou envolvimento no escândalo e disse que o casal não tem contas bancárias em paraísos fiscais.

Medalhista olímpico de handebol e empresário, Urdangari enfrenta a acusação mais grave do caso. Ele supostamente usou o seu título de duque de Palma para desviar cerca de € 6 milhões em contratos públicos através do Instituto Noos, uma organização sem fins lucrativos que dirigia com outro sócio.

Já Cristina é acusada de dois delitos de evasão fiscal por supostamente não declarar impostos sobre despesas pessoais pagas pela Aizoon, uma empresa suspeita de corrupção de sua propriedade e de seu marido. A Justiça do país argumenta que o crime não só prejudica a administração pública, mas também a todos os cidadãos.

Segundo o juiz de instrução do caso, a infanta conhecia os negócios do marido e se beneficiou pessoalmente do dinheiro desviado. O próprio procurador, no entanto, não viu indícios do delito e chegou a proibi-lo de processar a infanta por tráfico de influência e lavagem de dinheiro.

Dois procuradores representando as autoridades fiscais espanholas já defenderam que as acusações contra Cristina sejam retiradas, porque a infanta não teria cometido crimes. Neste caso, ela enfrentaria no máximo uma multa administrativa por evasão fiscal.

Em depoimento anterior, ao ser interrogada por cerca de 20 minutos pelo seu advogado, a infanta se declarou completamente desvinculada da gestão da empresa Aizoon, de que é co-proprietária junto ao seu marido. A princesa negou que ela ou o seu marido tenham contas em paraísos fiscais.

— Não tenho contas em paraísos fiscais. Tenho, sim, uma conta na Suíça, já que moro na Suíça — disse a princesa, segundo o jornal “El País”. — Nunca tive contas em paraísos fiscais, assim como meu marido.

Em março, ele disse que sua esposa conhecia “vagamente” os serviços de consultoria prestados pela Aizoon. Ele insistiu que nunca imaginou que poderia estar fazendo algo de questionável.

— Eu nunca tive conhecimento de que estava cometendo um crime fiscal porque eu tinha meus assessores que me diziam que estava tudo correto — declarou Udangarin.

O casal se vê diante de um alto risco em uma monarquia que teve a imagem arranhada várias vezes nos últimos anos. Esta é a primeira vez desde a restauração da monarquia, em 1975, que um membro da família real espanhola enfrenta acusações criminais.

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