Premier islandês nega renuncia com afastamento por tempo indeterminado

REYKJAVIK — O primeiro-ministro da Islândia negou que tenha renunciado ao cargo na terça-feira. Em comunicado, Sigmundur Gunnlaugsson afirmou que simplesmente deixará o gabinete por tempo indeterminado. Citado nos “Panama Papers”, o premier virou alvo de protestos após os documentos revelarem a existência de uma empresa de fachada criada por sua mulher em 2007.

Na terça-feira, o primeiro-ministro pediu o afastamento do cargo. A sua saída do governo deveria ainda ser aprovada pela coalizão de seus aliados e pelo presidente do país, Olafur Ragnar Grimsson. No entanto, um comunicado emitido nesta quarta-feira nega esta seja uma renúncia definitiva de Gunnlaugsson:

“O primeiro-ministro não renunciou e continuará presidindo o Partido Progressista”, dizia a nota.

No entanto, relatos da imprensa dizem que o governo islandês já trabalha na escolha de um substituto para o cargo de premier. O objetivo é que a coalizão permaneça no poder ao evitar as novas eleições desejadas pela oposição — que poderiam levar a uma mudança radical no cenário político da ilha europeia.

Após o vazamento dos “Panama Papers”, a oposição apresentou uma moção de desconfiança e milhares se reuniram em frente ao Parlamento para protestar sobre o que a oposição considerou uma falha de Gunnlaugsson ao não esclarecer um conflito de interesses sobre a empresa. O premier havia rejeitado a possibilidade de renúncia. Mais de 24 mil pessoas, em um país de 320 mil habitantes, assinaram uma petição on-line para pedir que ele deixasse o governo.

Os “Panama Papers” foram obtidos pelo ICIJ — consórcio de jornalismo investigativo formado por 376 jornalistas de 109 veículos em 76 países — e deram início a uma série de reportagens globais sobre como bilionários e políticos esconderam as suas fortunas durante anos. No Brasil, as revelações começaram a ser divulgadas no domingo pelo UOL, pelo site do jornal “Estado de S. Paulo” e pela Rede TV!.

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