Piloto ucraniana é julgada por assassinato de jornalistas na Rússia

MOSCOU — A Justiça russa está julgando a piloto ucraniana Nadia Savchenko, acusada de participação no assassinato de dois jornalistas russos com fogos de artilharia. As vítimas do episódio de junho de 2014 foram Igor Kornelyuk e Anton Voloshin, que cobriam conflitos entre forças ucranianas e rebeldes pró-Rússia pela televisão estatal russa.

Inicialmente, a imprensa chegou a relatar que a piloto havia sido considerada culpada pela Justiça. Mas, pouco depois, a informação foi corrigida afirmando que o veredito ainda não havia sido concluído.

Aos 34 anos, Nadia afirma ter sido capturada por rebeldes no mesmo dia do ataque aos jornalistas. Ela nega as acusações e argumenta que gravações telefônicas comprovam que sua captura aconteceu antes do episódio contra Kornelyuk e Voloshin.

Em seguida, ela diz ter sido levada à Rússia pelos rebeldes — mas, segundo procuradores, Nadia cruzou o território russo em segredo por conta própria. Além disso, ela teria chegado à região alguns dias antes para se unir a um batalhão voluntário em favor do governo ucraniano.

Na Rússia, Nadia tem sido retratada como uma criminosa violenta; no entanto, em Kiev, tem sido transformada em uma heroína nacional. Antes do julgamento, ela realizou uma greve de fome de 83 dias. Em sua declaração ao tribunal, fez um discurso desafiador contra a Justiça e a política russas — e mostrou o dedo do meio ao juíz.

Ao ler seu veredito, o juíz afirmou que Nadia foi levada a cruzar o território pelo ódio político. A procuradoria pede a pena de 23 anos de cadeia para a piloto, enquanto a resposta final da Justiça é esperada para terça-feira.

Líderes políticos ocidentais pedem pela absolvição da ucraniana. Segundo a chefe da diplomacia da União Europeia, Federica Mogherini, ela deveria ser libertada imediata e incondicionalmente. Já a embaixadora dos EUA nas Nações Unidas, Samantha Power, descreveu o julgamento do ano passado como burlesco.

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