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Partidários pró-Brexit levam vantagem em ofensiva on-line, dizem analistas

Da redação | 21/06/2016 05:20

LONDRES — Nas ruas de Londres, a batalha entre os que defendem a permanência na União Europeia (UE) e os que votam pela saída do bloco é discreta, com partidários dos dois lados da disputa distribuindo panfletos sem muito barulho. Já nas mídias sociais, os defensores do Leave (sair) e do Remain (permanecer) travam uma guerra, com mais de cem organizações fazendo das plataformas digitais seu principal palanquemais de cem organizações fazendo das plataformas digitais seu principal palanque. Analistas que estudaram a movimentação nas redes concordam que o voto pelo Brexit está levando vantagem.

Um dos vídeos mais assistidos da campanha, “Brexit, o filme”, já teve 1,4 milhão de acessos no YouTube. O documentário de 70 minutos foca principalmente nas razões econômicas apresentadas pelo campo do Leave, para quem as regras da UE são um entrave ao desenvolvimento do Reino Unido. Produzido pelo diretor Martin Durkin através de crowdfunding (financiamento pela internet), o filme traz estereótipos, como operários italianos pouco concentrados nos afazeres, e dá destaque a políticos como Nigel Farage, líder do Ukip, partido de extrema-direita. A produção faz sucesso entre os críticos da UE, que vêm compartilhando os trechos mais provocativos à exaustão. Já o vídeo oficial da campanha do Remain teve 26 mil acessos.

EXCESSO DE NÚMEROS X APELO À EMOÇÃO

Para o pesquisador Vyacheslav Polonski, especialista em sociologia da internet da Universidade de Oxford, os partidários do Brexit têm demonstrado maior habilidade no uso das mídias sociais — cada vez mais indispensáveis em campanhas políticas — dando o seu recado de forma mais poderosa e emotiva. Polonski analisou posts no Instagram e no Twitter nos últimos seis meses e avalia que os adversários da UE têm dominado o debate on-line tanto entre os eleitores mais jovens quanto entre os mais velhos.

— Os partidários do Brexit tendem a ser mais ativos e abertos no comportamento on-line. As redes fornecem um canal para esse ativismo e criam a percepção de que há mais apoio ao Brexit, mesmo que só exista um punhado de indivíduos ativos e posts políticos gerados automaticamente por robôs com mensagens de apoio ao Brexit — explica Polonski. — Por outro lado, sabemos que mensagens carregadas de emoção e humor se espalham mais rapidamente do que estatísticas.

Esse pode ter sido um dos erros da campanha pela permanência na UE: um excesso de números sobre as prováveis consequências econômicas do Brexit que tende a confundir os eleitores. Só na reta final da disputa, o time do Remain conseguiu atrair mais atenção nas mídias sociais com o apoio de vídeos gravados por comediantes populares e hashtags divertidas. Duas delas se tornaram virais no Twitter: #catsagainstbrexit (“gatos contra o Brexit”), com fotos de gatos “pedindo” votos pela permanência, e #hugabrit (“abrace um britânico”), ação que vem juntando imagens de cidadãos europeus abraçados a seus amigos do Reino Unido.

Para Mathew Goodwin, professor de Ciências Políticas da Universidade de Kent, o debate sobre o referendo é mais uma questão de mobilização do que persuasão. Ao mapear os eventos dos dois lados, ele concluiu que os defensores da permanência no bloco fizeram uma campanha mais intensa, enviando militantes a áreas mais diversificadas. Já os partidários do Brexit se concentraram em regiões avessas à UE. Mas, nas mídias sociais, o quadro é outro.

— O Leave parece levar vantagem na campanha on-line. Os grupos eurocéticos têm mais seguidores que os partidos políticos — avaliou.

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