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Padre morre degolado após ser feito refém do Estado Islâmico em igreja da França

Da redação | 01/08/2016 11:09

Um padre morreu degolado e outra pessoa está gravemente ferida após um ataque com captura de reféns numa igreja da Normandia (norte da França), na manhã desta terça-feira. A polícia francesa matou os dois sequestradores que invadiram o templo armados com facas e mantiveram cinco pessoas sequestradas entre 10h e 11h (5h e 6h, pelo horário de Brasília). O presidente francês, François Hollande, confirmou que os dois terroristas gritaram que pertenciam ao Estado Islâmico (ISIS, na sigla em inglês). O Estado Islâmico “declarou guerra contra nós”, advertiu Hollande, que alertou ainda que a “ameaça continua sendo muito elevada”. O presidente, mais uma vez, defendeu que o país permaneça unido, em mensagem dirigida a “todos os franceses”.

O pároco morto se chamava Jacques Hamel e tinha 84 anos, segundo informações do arcebispo de Rouen, Dominique Lebrun. O porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi, declarou que o papa Francisco foi informado e sente “dor e horror” por “esta violência absurda”.

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Segundo o jornal Le Parisien, os dois agressores chegaram à igreja de Saint Etienne du Rouvray, uma localidade rural perto de Rouen, a capital da Normandia, pouco antes das 10h, durante uma missa. Entraram pela porta traseira e a fecharam em seguida. Uma vez lá dentro, mantiveram o pároco, duas freiras e dois fiéis como reféns durante cerca de uma hora. Uma terceira freira conseguiu fugir e avisou as autoridades.

A polícia abateu os sequestradores quando estes saíram ao átrio da igreja. “Obviamente é um drama para a comunidade católica e cristã, uma situação dramática que enfrentamos novamente menos de duas semanas depois da tragédia de Nice”, afirmou Pierre-Henry Brandet, porta-voz do Ministério do Interior. Segundo fontes policiais citadas pelo jornal Le Figaro, um dos assaltantes usava barba e cobria a cabeça com uma chachia, espécie de touca usada por muçulmanos.

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Brandet declarou à cadeia BFMTV que a igreja está sendo vasculhada em busca de possíveis artefatos explosivos. O porta-voz do Ministério do Interior evitou se pronunciar sobre “as motivações e o perfil” dos autores do ataque, mas admitiu que se trata de uma “ação violenta deliberada e certamente preparada”, acrescentando que “a prioridade era a neutralização” dos sequestradores.

O Papa Francisco, segundo o porta-voz do Vaticano, manifesta sua “condenação mais absoluta a toda forma de ódio e reza pelas pessoas agredidas”. Segundo Lombardi, Jorge Mario Bergoglio e seus colaboradores estão especialmente consternados porque “o bárbaro assassinato do sacerdote e a agressão aos fiéis” aconteceram “dentro de uma Igreja, um lugar sagrado onde se anuncia o amor de Deus”. O Vaticano expressou sua solidariedade à Igreja francesa, à arquidiocese de Rouen e a todo o povo da França.

O novo ataque ocorre em pleno alerta antiterrorista na França, apenas 12 dias depois de um homem matar 84 pessoas ao atirar um caminhão sobre a multidão que comemorava o 4 de Julho, data nacional francesa, na cidade de Nice, num ataque reivindicado pelo Estado Islâmico (EI). As igrejas católicas são consideradas um dos alvos prioritários para os jihadistas. Em abril de 2015, as autoridades já evitaram um ataque a uma delas na localidade de Villejuif, nos arredores de Paris. Um estudante franco-argelino de 24 anos, Ahmed Ghlam, foi detido antes de conseguir executar seu plano, mas teria matado uma jovem de 32 anos, Aurélie Châtelain, ao tentar roubar o carro dela durante a preparação do frustrado atentado.

Católicos
Depois do ataque em Nice, a França estendeu por seis meses o estado de emergência, em vigor desde os atentados terroristas de 13 de novembro de 2015 em Paris. O regime dá à polícia poderes adicionais.

Em sua propaganda e seus comunicados de reivindicação, o grupo Estado Islâmico convoca a atacar os líderes “cruzados” ocidentais e o “reino da Cruz”, uma expressão que faria referência à Europa, segundo a France Presse.

A ameaça de um ataque contra um local de culto cristão estava na mente de todos na França, sobretudo depois que um projeto de atentado contra uma igreja católica nos arredores de Paris em abril de 2015 foi abortado.

Após esta tentativa, o governo havia anunciado que adaptaria seu dispositivo de luta antiterrorista aos locais de culto católicos.

Cerca de 700 escolas e sinagogas judaicas, assim como entre 1 mil e 2,5 mil mesquitas, estão protegidas por militares, mas parece difícil aplicar estas mesmas medidas de segurança às 4,5 mil igrejas católicas do país.

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