ONG acusa guardas turcos de matarem refugiados sírios que tentam cruzar a fronteira

ISTAMBUL — Guardas de fronteira da Turquia têm usado violência contra requerentes de asilo, chegando a matar e a ferir refugiados sírios a tiros, denunciou a Human Rights Watch nesta terça-feira. A ONG apelou às autoridades turcas para investigar o uso excessivo da força pelos policiais.

Em março e abril, ao menos cinco pessoas foram mortas, incluindo uma criança, e 14 ficaram gravemente feridas tentando atravessar a fronteira turca, de acordo com testemunhas e moradores sírios ouvidos pela organização.

Apesar da construção de um novo muro na fronteira, o Ministério das Relações Exteriores da Turquia sustenta que o país mantém uma “política de portas abertas” para os refugiados sírios.

— Enquanto altos funcionários turcos afirmam que eles estão acolhendo refugiados sírios com fronteiras abertas e braços abertos, seus guardas de fronteira estão matando e agredindo”, denunciou Gerry Simpson, analista da Human Rights Watch. — Atirar em homens, mulheres e crianças traumatizados que fogem dos combates e da guerra indiscriminada é verdadeiramente terrível.

Desde pelo menos meados de agosto de 2015, guardas de fronteira turcos têm impedido a entrada de sírios que tentam chegar à Turquia fugindo do conflito e da violência do Estado Islâmico (EI).

Em 13 e 15 de abril, os policias teriam bloqueado milhares de pessoas deslocadas que fugiram de seus acampamentos perto da fronteira após uma ataque com fogo de artilharia.

O desespero dos sírios que tentam deixar o país ilustram o agravamento da guerra. Na segunda-feira, o Grupo Internacional de Apoio à Síria (GISS), formado por 17 países e co-presidido por Rússia e Estados Unidos, elevou a estimativa do número de mortos para 400 mil desde o início do conflito.

O número foi apresentado pelo ministro de Relações Exteriores da França, Jean-Marc Ayrault, após reunião do grupo em Paris para manter a pressão internacional em busca de uma solução.

No último dia 27 de fevereiro, iniciou-se uma trégua em grande parte do país. Entretanto, os bombardeios e ataques armados continuaram. Apenas em Aleppo, calcula-se que 500 pessoas tenham morrido nas últimas semanas.

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