No campo republicano, pressão é para Kasich deixar disputa

WASHINGTON – Embora Donald Trump e Ted Cruz lutem por cada voto para conquistar a nomeação pelo Partido Republicano, muitas vezes em ataques fortes, eles se unem num propósito único: fazer o governador de Ohio, John Kasich, desistir da disputa. Vencedor até o momento apenas em seu estado natal, Kasich é o único sobrevivente da ala moderada do partido. E mesmo sem chances matemáticas de conquistar o número de delegados necessários para obter a nomeação, continua na disputa, tirando votos dos dois líderes e facilitando a convocação de uma convenção contestada da legenda, na qual tudo pode acontecer.

A convenção — quando nenhum postulante consegue os 1.237 delegados para a nomeação automática — seria a única chance de Kasich ser designado candidato. Ele poderia ser o nome de consenso contra o polêmico bilionário e o senador de extrema-direita. Enquanto isso, tenta impedir vitórias arrasadoras, evitando que os dois conquistem o número necessário de delegados.

— Se não houvesse Kasich, eu venceria (a nomeação) automaticamente — disse Trump na noite de domingo.

Kasich tem afirmado que não abandonará a disputa e que luta por suas convicções. E tem sido alvo inclusive de propaganda negativa por parte de comitês que apoiam Cruz. A última pesquisa nacional coloca o governador com 19% das intenções de votos dos republicanos nas primárias, contra 38% de Trump e 31% para Cruz. Por outro lado, nos cruzamentos entre os dois postulantes democratas — Hillary Clinton e Bernie Sanders — é o único republicano que venceria em uma eleição de novembro.

— Você não é elegível se você não pode ganhar as eleições. Ele não teve nenhuma vitória, a não ser em seu estado — afirmou Cruz, que previu “grande revolta”, se a convenção republicana escolher um candidato que não esteja entre os dois mais votados nas primárias.

COMO PAGAR O MURO DE TRUMP

Cruz sofre por sua ideologia de ultradireita, enquanto Trump paga por suas propostas polêmicas, que continuam acontecendo. Ontem sua página de campanha informou como o magnata faria os mexicanos pagarem pelo polêmico muro que ele pretende construir na fronteira entre os dois países: com chantagem. De acordo com ele, “é uma decisão fácil para o México”: pagar uma única vez pelo muro, que pode custar entre US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões, do contrário impedirá que os mexicanos façam remessas a seu país de origem, que movimentam US$ 24 bilhões por ano.

O presidente Barack Obama disse ontem que o projeto de Trump é “irrealizável” e que teria “enormes consequências” — justamente ampliar o fluxo de imigrantes aos EUA, tudo o que ele diz querer evitar.

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