Na OEA, Zapatero pede reconciliação entre poderes da Venezuela

WASHINGTON — O ex-presidente do governo espanhol, Jose Luis Zapatero, afirmou na manhã desta terça-feira, na sede da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington, que as prioridades para a Venezuela são resolver os conflitos entre os poderes do país — notadamente o governo de Nicolas Maduro e a Assembleia Nacional, controlada pela oposição — e a reconciliação no país.

Na reunião, Zapatero contou como foi sua missão de diálogo no país no fim de maio e relatou suas impressões para seguir em um caminho de paz:

— Resolver os conflitos e controvérsias entre os poderes são medidas que tratam da institucionalidade democrática, que é a chave da convivência e da estabilidade política — disse. — O povo venezuelano quer o diálogo, a convivência e a paz.

O espanhol disse que todo o diálogo com a Venezuela precisa ocorrer com “profundo respeito à soberania”. Ele afirmou ainda que a Venezuela precisa mostrar que há lisura eleitoral no país e que desde então os negociadores “não perderam tempo”.

Foram realizadas mais de 30 reuniões entre os atores políticos da Venezuela. Zapatero destacou o encontro com Leopoldo López, opositor da gestão de Maduro, na prisão.

— Não há politica na violência, não há politica no fanatismo, nao há politica no erro. Só há política na generosidade e no respeito — disse ele.

Em seu discurso, voltou a defender os direitos humanos e ações que previamente garantam a paz, lembrando que a guerra e os conflitos já mostraram que podem ser muito dolorosos para as pessoas. Zapatero defendeu o diálogo e a convivência pacífica entre todos como ponto fundamental para as democracias do mundo atual.

— Nossa tarefa única e exclusivamente é ajudar a Venezuela a enfrentar seus sérios desafios — disse em seu discurso inicial, de cerca de 30 minutos.

Ao chegar à sede da OEA, Zapatero foi recepcionado pelo embaixador venezuelano no órgão, Bernardo Alvarez, e afirmou que vai, em sua exposição, explicar objetivo do diálogo e contar como foi seu processo de mediação na Venezuela.

— Todos temos que tratar e trabalhar para que a História da Venezuela termine bem — disse.

A reunião desta terça-feira servirá também para que os países comecem a debater novas ações sobre a Venezuela. Na quinta-feira, o Conselho Permanente do organismo decidirá se aplica ou não a Carta Democrática Interamericana no país.

O secretário-geral da OEA, Luís Almagro, pediu, no final de maio, este encontro especial para analisar a situação do país de Maduro. O objetivo é avaliar se há algum tipo de alteração constitucional que possa comprometer a democracia no país, evocando o documento.

Nesta reunião de quinta-feira, poderão ser decididas novas frentes diplomáticas para tentar chegar a um acordo no país. Caso isso não prospere, a Venezuela poderá até ser suspensa do organismo internacional.

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