Militantes fazem greve e vão às ruas protestar contra cortes de Macri

BUENOS AIRES — Insatisfeitos com a série de cortes realizada pelo presidente argentino, Mauricio Macri, para diminuir os gastos e equilibrar as contas públicas, argentinos foram às ruas nesta quarta-feira protestar contra o novo governo que assumiu há um pouco mais de dois meses. As medidas, que incluem milhares de demissões e uma alta brutal de preços, provocaram uma queda na popularidade de Macri e aumentou a pressão dos sindicatos, que não querem perder mais poder aquisitivo. Os atos representam a primeira greve nacional de trabalhadores estatais, respaldada por centrais sindicais, em uma marcha prevista para acabar na residencial oficial.

O principal local de mobilização foi a Casa Rosada. Militantes da Associação de Trabalhadores do Estado organizaram uma marcha pelas avenidas rumo à sede do governo, criticando os mais de 6 mil cortes em empregos estatais (mas que lideranças sindicais avaliam em mais de 15 mil).

— O argumento de eliminar os nhoques (termo usado para empregados que não trabalham) já não é crível nem para o governo. Só reduzem pessoal — atacou o chefe da associação, Hugo Godoy.

Nem mesmo os elogios dos mercados financeiros conseguiu frear o descontentamento social. A inflação galopante de cerca de 30%, elevada pela desvalorização do peso em dezembro, foi um dos fatores que terminou de esfriar o entusiamo gerado por Macri.

— A realização das promessas de campanha me parecem apressadas, pouco analisadas, como se só quisessem mostra que cumprem as propostas — disse Marcelo García, um empregado de 40 anos que votou em Macri porque acredita em suas boas intenções, mas se mostrou decepcionado com a gestão.

A alta dos preços se tornou a principal preocupação dos argentino. Para combater a inflação, Macri esperava que os acordos anuais de salário não superassem 25%, a meta do ano. Mas os sindicatos não cederam, conseguindo um aumento de 32%. Em meio às duras negociações, o início do ano escolar está ameaçado, porque os professores ameaçam se juntar aos protestos.

— O governo caminha por um desfiladeiro. Em um lado tem um setor mais ortodoxo do ponto de vista econômico que o pressiona. Por outro, está a reação dos setores sociais — afirmou o analista político Ricardo Rouvier à Reuters.

Outro ponto de tensão é a visita do presidente americano, Barack Obama, no fim de março. O período coincide com o 40º aniversário do golpe de Estado de 1976, que deu início a um regime militar onde mais de 8 mil civis morreram e outros 20 mil continuam desaparecidos. Um dia antes, a líder das Avós da Praça de Maio (principal grupo em busca dos desaparecidos da ditadura), Estela de Carlotto, se encontrou com Macri. Ela disse que o presidente assegurou que haverá atenção dupla à visita de Obama e às cerimônias e protestos no período.

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