Marinha italiana resgata mais de 500 migrantes na costa da Líbia

TRÍPOLI — A Marinha italiana resgatou mais de 500 pessoas nesta quarta-feira depois que uma embarcação com destino à Europa naufragou na costa da Líbia. Pelo menos cinco pessoas se afogaram no naufrágio, que, de acordo com a marinha foi causado pela “superlotação e a instabilidade” na embarcação que carregava os imigrantes.

— Sempre esperamos salvar as pessoas que estão na proa, mas eles conseguiram salvar cerca de 550 pessoas, incluindo as que estavam na parte de dentro do bote — afirmou Flavio di Giacomo, porta-voz da Organização Internacional para as Migrações (OIM). — Isso é impressionante. É um milagre.

Ibrahim Mbalo, um imigrante gambiano que sobreviveu a um naufrágio que deixou cerca de 800 mortos em abril, conta que é virtualmente impossível escapar uma vez que a água entra no navio, já que a maior parte dos viajantes não sabe nadar, e tenta se agarrar a algo na esperança de flutuar.

— Alguém agarrou minhas calças, então tive que me livrar delas para conseguir me salvar — conta Mbalo. — Fiquei debaixo d’água por quase quatro minutos.

Desde o início da semana, pelo menos 38 embarcações e mais de 6 mil pessoas foram resgatadas nas águas do Mediterrâneo. Segundo a OIM, 11 mil pessoas foram salvas desde o início do mês na região, e 39 mil desde o início do ano, um número similar ao registrado no mesmo período, no ano passado. Embora o acordo entre a União Europeia e a Turquia tenha reduzido a imigração para a Grécia, nenhuma medida conseguiu reduzir até agora as tentativas dos imigrantes de chegarem à Europa cruzando o Mediterrâneo a partir da Líbia.

Embora as nacionalidades dos resgatados nesta semana não tenham sido reveladas, desde janeiro, o número de sírios chegando à costa italiana diminuiu consideravelmente. A maior parte dos refugiados na região vem de países da África Subsaariana como Nigéria e Somália, e de países com regimes opressivos como Gâmbia e Eritreia. Os sírios, que representavam o principal grupo na rota do Mediterrâneo em 2014 têm enfrentado cada vez mais dificuldades para chegar à Líbia.

Suspeita-se que o barco que naufragou nesta quarta-feira tenha zarpado do Egito antes de chegar à costa líbia.

— Conversamos com imigrantes oriundos da África Oriental e eles parecem cientes de que a Líbia é hoje um território muito perigoso — diz Di Giacomo. — Então, quando podem, eles partem do Egito.

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