Maduro autoriza ‘diálogo de alto nível’ com os EUA e propõe volta de embaixadores

CARACAS – O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, disse nesta terça-feira que autorizou um diálogo com os EUA de olho na normalização de relações entre os países e a retomada de embaixadores. Mais cedo, o secretário de Estado americano, John Kerry, se encontrou com a chanceler de Maduro, Delcy Rodríguez, e pediu a ela respeito às instituições democráticas.

Maduro informou que a iniciativa de diálogo partiu de Kerry, reunido com Delcy na Assembeia Geral da OEA.

— Nós somos o povo do diálogo. Defendemos a revolução com a verdade. Eles nos propuseram que iniciemos uma nova etapa de diálogo com novos canais de comunicação e um conjunto de encontros de alto nível. Eu disse a Delcy: “aprovado” — disse ele, que afirmou esperar por contatos “de maneira acelerada”.

Durante os últimos meses, conversas entre escalões menores de ambos os governos vislumbravam um degelo entre os governos, que não têm embaixadores mutuamente há seis anos. No entanto, com o agravamento da crise interna no país, Maduro endureceu a retórica e acusou os EUA de conspirarem junto à OEA para desestabilizar o país e derrubar o governo.

Desta vez, Maduro disse ter proposto designar embaixadores.

— Estou pronto para designar um embaixador em Washington novamente e que vocês façam o mesmo aqui, mas com respeito. Estou há anos propondo isso — afirmou.

Mais cedo, Kerry pediu a Delcy que um referendo revogatório “justo e oportuno” seja realizado na Venezuela. A oposição venezuelana vem trabalhando em favor de uma consulta popular que pode encurtar o mandato do presidente — um processo que gera uma guerra política com o governo do país em crise.

— Os venezuelanos têm o direito de utilizar os mecanismos constitucionais para manifestar sua vontade de maneira democrática — disse Kerry ao defender a realização de um referendo revogatório.

PRESSÃO EM CARACAS

A coalizão opositora venezuelana vem convocando uma nova mobilização em Caracas para pressionar o órgão eleitoral a agilizar o processo do referendo. A Venezuela vive uma profunda crise econômica e política, e autoridades insistem que os prazos legais impedem que a consulta popular aconteça ainda neste ano. Se a consulta acontecer depois de 10 de janeiro de 2017, quando o mandato presidencial completa quatro anos, e Maduro for derrotado, os dois anos restantes serão completados pelo vice-presidente, designado pelo chefe de Estado. Se o referendo acontecer este ano e o chavismo for derrotado, novas eleições serão convocadas.

Em seu discurso desta terça-feira, Kerry ainda fez um apelo pela libertação de presos políticos na Venezuela, pelo respeito à liberdade de expressão e pelo alívio da grave escassez de alimentos e remédios no país. Além disso, o secretário disse que a invocação da Carta Democrática Interamericano pelo chefe da OEA, Luis Almagro, abrirá a discussão política, econômica, social e humanitária necessária à crise venezuelana.

Após a intervenção de Kerry, Delcy disse que na Venezuela não há presos de consciência.

— Os assuntos internos da Venezuela resolvem os venezuelanos — disse Delcy, acusando Almagro de manter uma posição intervencionista sobre os assuntos internos do seu país.

O governo venezuelano tenta assegurar pelo menos 18 votos a seu favor para esta sessão. Com isso, bloquearia a aplicação das medidas previstas pela Carta Democrática da organização, afirmam fontes diplomáticas.

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