Líder da extrema-direita holandesa promete campanha por referendo sobre saída da UE

AMSTERDÃ — Após o Reino Unido ter decidido pela saída da União Europeia (UE), o líder da extrema-direita da Holanda, Geert Wilders, afirmou que o país também deveria realizar um referendo sobre a permanência no bloco. Ele parabenizou os britânicos pelo resultado da votação de quinta-feira, que teve 52% dos votos favor do Brexit, e ainda prometeu colocar um referendo sobre um ‘Nexit’ (saída holandesa da UE) no centro da sua campanha para primeiro-ministro nas eleições parlamentares de 2017.

— Eu parabenizo o povo britânico por derrotar a elite política em Londres e em Bruxelas. Acho que nós podemos fazer o mesmo — disse Wilders em entrevista. — Os holandeses gostariam de estar novamente no comando do seu próprio orçamento, das suas fronteiras nacionais e da sua política migratória. Nós deveriamos fazer um referendo sobre um ‘Nexit’ assim que possível.

Após 43 anos de uma parceria que definiu os rumos da Europa no pós-guerra, o Reino Unido decidiu na quinta-feira retirar-se da UE. A maioria dos britânicos optou pelo chamado Brexit, a saída do bloco, em uma votação apertada, na qual as duas opções do referendo se alternaram diversas vezes na liderança. O resultado foi na contramão das últimas pesquisas de intenção de voto, que indicavam vitória da permanência do páis no bloco.

Com 72% de participação dos britânicos nos centros de votação, o resultado do referendo levou o primeiro-ministro britânico, David Cameron, a renunciar. Ele deverá deixar o cargo em outubro, e outro premier será nomeado para o Reino Unido.

Wilders disse esperar que vários outros países realizem seus próprios plebiscitos para discutir a permanência na UE. O líder do Partido Pela Liberdade (PVV), legenda anti-imigração e anti-islâmica que vem ganhando espaço na Holanda, prometeu colocar um referendo holandês como tema central da sua campanha para se tornar primeiro-ministro nas eleições parlamentares de 2017.

— Dentro do conceito de soberania nacional, tudo vem junto. Acho que vamos nos beneficiar não apenas economicamente mas também em combater a islamização da Europa, a imigração, a crescente ameaça do terrorismo islâmico e a emergência dos requerentes de asilo — sustentou. — Não há mais futuro (para a UE). Existe um futuro para a cooperação como vemos na Ásia e na América Latina, onde também há órgãos para que as pessoas cooperem economicamente, mas não mais politicamente.

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