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Justiça da Turquia ordena intervenção em maior jornal do país, oposto ao governo

Da redação | 04/03/2016 18:20

ISTAMBUL — Um tribunal ordenou nesta sexta-feira que o maior jornal da Turquia, o “Zaman”, seja colocado sob tutela judicial, a pedido do Ministério Público do país. Na prática, a medida permite a nomeação de administradores para a direção do grupo, que também gere a agência de notícias Cihan.

Apesar de conservador e alinhado à religião islâmica, o diário é franco opositor do presidente Recep Erdogan, de mesma linha ideológica. Ainda que até agora a Justiça não tenha divulgado as razões da decisão, a mídia local especula que o pano de fundo seja a investigação do Fethula Gulen, clérigo vinculado ao jornal e sobre quem pesa um processo por supostamente tentar derrubar o governo.

Gulen, antigo aliado do partido AKP, de Erdogan, se transformou em rival de Erdogan desde que juízes e policiais supostamente vinculados ao clérigo começaram uma investigação sobre a corrupção no entorno do mandatário.

Outro grupo midiático ligado a Gulen, Koza-Ipek, foi alvo da mesma medida dias antes das eleições de novembro. Os diretores nomeados à sua administração imediatamente mudaram a linha editorial dos veículos mantidos pelo grupo: em um dia, passaram de opositores a bajuladores do governo.

O diretor das publicações de “Zaman”, Abdülhamit Bilici, convocou os leitores a defender o diário:

— A liberdade de imprensa está protegida por nossa Constituição e pelo Tratado Europeu de Direitos Humanos. A nomeação de um interventor para nosso periódico significa suspender a Constituição. Esperamos que a Turquia não siga por este caminho e que volte ao caminho da legalidade — afirmou Bilici.

A publicação em inglês do mesmo grupo, “Today’s Zaman”, que também estará sob controle de um interventor, considerou que a Turquia enfrenta “seus piores e mais sombrios dias quanto à liberdade de imprensa”. O veículo lembrou que, na semana passada, foram suspensas as emissões dos canais opositores esquerdistas do satélite público Türksat e que vários jornalistas estão sendo investigados — alguns, já na prisão.

Muitas pessoas se reuniram nos escritórios do jornal, em Istambul. Os portões do prédio foram fechados com correntes para evitar a entrada do interventor designado pelo tribunal. Todos os partidos da oposição criticaram a decisão judicial, ao verem a mão de um governo cada vez mais autoritário e disposto a calar as vozes críticas como a do jornal mais vendido no país, o “Zaman”, que imprime 650 mil exemplares por dia.

Até Ertugrul Günay, ex-ministro do governo do AKP, classificou a medida como “um passo a mais em uma direção muito perigosa”.

— Estão nos levando ao caos no qual todos os princípios, regras e instituições da República da Turquia estão sendo destruídas — afirmou Günay.

O chefe da delegação da União Europeia no país, Hansjörg Haber, mostrou sua preocupação com o ocorrido. Ele lembrou que a liberdade de imprensa é essencial para o processo de adesão à comunidade. Mais duro se mostrou o comissário de Direitos Humanos do Conselho Europeu, Nils Muiznieks.

— Esta é a última de uma série de restrições inaceitáveis à liberdade de imprensa na Turquia. Isso reforça a preocupante tendência ao assédio judicial de meios e jornalistas dissidentes.

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