‘Há falhas óbvias de segurança’, diz especialista turco em terrorismo

RIO – Mursel Genc, jornalista e especialista em terrorismo, diz que o governo turco não admite falhas “óbvias” de segurança após inúmeros atentados com centenas de feridos nos últimos anos. Ele alega ainda que os que ousam divulgar estes problemas são perseguidos.

Existia alguma vulnerabilidade para que essa ação terrorista acontecesse no aeroporto?

Este ataque terrorista aconteceu num dos pontos com mais altas medidas de segurança. A ocorrência de três explosões em diferentes pontos num lugar como o Aeroporto Atatürk é o exemplo mais óbvio de falhas de segurança e Inteligência. Especialmente nos últimos dois anos aconteceram falhas sérias de Inteligência no país. Durante um ano e meio, ocorreram dez ataques a bomba numa metrópole como Istambul. Na maioria das vezes, foi descoberto que os cidadãos de países como EUA, Reino Unido e Alemanha, entre outros, foram advertidos dos possíveis ataques. Aliás, a Inteligência foi insuficiente para prevenir tais ataques na Turquia. Especialmente após dezembro de 2013, houve um processo alarmante de demissões na polícia. Desta forma, houve uma séria debilidade em segurança e inteligência.

Ninguém foi responsabilizado pelas falhas?

Um dos maiores problemas na Turquia é que nenhuma autoridade assume a responsabilidade. Não houve renúncia do pessoal do departamento de segurança, nem de políticos. Embora houvesse dezenas de ataques de homens-bomba, perda de centenas de vidas, nenhuma autoridade pediu desculpas, expressou condolências. Nenhum inquérito foi aberto contra burocratas e autoridades.

Como avalia a censura à mídia após o ataque?

Na Turquia, fizeram com que a mídia se tornasse incapaz de cumprir suas tarefas nos últimos anos. Questionar os erros das autoridades é quase impossível. Foi aberto um inquérito contra mim por ter feito uma reportagem questionando as falhas de segurança e da polícia na ação terrorista em que um promotor morreu. O governo não quer que nenhuma notícia ruim sobre ele chegue ao povo.

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