Freedom House premia CEO do Grupo Clarín por defesa da liberdade de imprensa

WASHINGTON – A ONG Freedom House concedeu ao CEO do Grupo Clarín, Héctor Magnetto, seu Prêmio à Liberdade de Expressão. Referência internacional em estudos e apoio às liberdades civis e sociais, a organização disse nesta terça-feira que o executivo e o grupo exerceram um papel de defesa à imprensa e à livre expressão na Argentina durante a última década, através do jornal homônimo e de seus demais veículos de comunicação, como a revista “Perfil” e a Rádio Mitre.

Como destaque principal nas atribuições elogiadas pela Freedom House, está “a decisão de Magnetto de resistir e manter a independência editorial frente às tentativas oficiais de avançar contra as vozes críticas”. O grupo elogia ainda o compromisso do empresário para com a liberdade de expressão e o jornalismo profissional a favor da democracia.

“Na década passada, os governos de Néstor e Cristina Kirchner miraram no ‘Clarín’ por suas críticas jornalísticas. Convencido do papel central que têm a livre expressão e o jornalismo profissional a favor da democracia, Magnetto manteve a independência e desempenhou um papel-chave a favor da liberdade de imprensa”, diz a organização.

A ONG destacou que, na Argentina dos governos Kirchner, a estrutura do Estado foi “mobilizada para debilitar e estigmatizar as vozes que buscaram interpelar o poder”. Nos mandatos de Néstor e Cristina, foram mais de 1.200 ações hostis à imprensa denunciadas: buscas armadas a sedes dos meios de comunicação, bloqueios à circulação de jornais, regulações “arbitrárias” e perseguição administrativa, “ataques e difamações” e boicotes, entre outros.

O Grupo Clarín foi alvo de críticas de membros do governo em atos públicos, assim como seus jornalistas. Publicidades foram cortadas e outras ações propagandísticas, com financiamento do Estado, foram conduzidas contra o grupo, destaca a ONG. No caso do Clarín, houve ainda a mobilização do governo para desmembrar o grupo através dos termos da polêmica Lei de Meios Audiovisuais, que quase resultou no fatiamento da empresa — só revista pelo governo Mauricio Macri.

— Cabe ao Clarín receber o prêmio, mas acho que o resto da imprensa independente do país merece, por ter brigado, aguentado e lutado pela liberdade do jornalismo — disse ele ao “La Nación”.

Na cerimônia, também foram reconhecidos a escritora saudita Hala al-Dosari, por sua defesa dos direitos das mulheres, a deputada iraquiana Vian Dakhil, única representante da minoría étnica-religiosa yazidi no Parlamento iraquiano e defensora das mulheres perseguidas pelo Estado Islâmico.

Desde 1943, Freedom House já reconheceu várias personalidades que atuaram em defesa da libertad e da democracia em diversas áreas. Entre eles, o Dalai Lama, Winston Churchill, Dwight Eisenhower, Willy Brandt, Aung San Suu-Kyi e outros.

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