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França quer dianteira da UE, mas Hollande tem Le Pen no encalço

Da redação | 25/06/2016 04:50

PARIS – “Decepção” e “tristeza” foram as palavras pronunciadas pelo presidente François Hollande em conversa por telefone com o premier David Cameron após a confirmação da vitória do Brexit no Reino Unido. O líder francês, um dos principais protagonistas do projeto europeu ao lado da Alemanha, admitiu que o choque provocado pela rejeição britânica coloca “gravemente a Europa à prova” e apelou para uma reação “à altura” por parte da UE.

— A Europa é uma grande ideia, e não somente um grande mercado. Ela deve portar projetos e não se perder em procedimentos. A Europa não pode mais agir como antes. A História nos julga. Estejamos à altura — defendeu Hollande, que reuniu-se com ministros após o resultado.

O presidente prometeu que a França estará à frente para que a Europa se concentre no “essencial” com o objetivo de reconquistar a confiança dos cidadãos: a segurança e defesa do continente, o investimento para o crescimento e o emprego, a harmonização fiscal e social, e o reforço da eurozona e da governança democrática. Longe de minimizar os possíveis efeitos do referendo, Hollande assumiu a gravidade da situação:

— Está em jogo a dissolução da Europa, no risco de uma retração. O perigo é imenso diante de extremismos e populismos.

Como se esperava, o “não” britânico à UE foi comemorado efusivamente por Marine Le Pen, presidente do partido de extrema-direita Frente Nacional, que desde 2003 pede que uma consulta popular do mesmo tipo seja feita na França, o “Frexit”. “Vitória da liberdade! Como peço há anos, é preciso agora o mesmo referendo na França e nos países da UE”, escreveu a líder da direita radical em sua primeira reação via Twitter. Mais tarde, qualificou o resultado britânico de histórico:

— Sim, é possível sair da UE!

Bloco estará ‘no centro da campanha’

Segundo as pesquisas de opinião, se as eleições presidenciais de 2017 fossem realizadas hoje, Marine Le Pen teria presença garantida no segundo turno do pleito. Ela garante que a questão europeia estará “no centro da próxima campanha presidencial”, e promete que, se eleita ao Palácio do Eliseu, organizará um referendo no prazo de seis meses após a posse, para recuperar as “quatro soberanias fundamentais” do país: monetárias e orçamentárias, econômicas, territoriais e legislativas:

— O Reino Unido nos deu uma impressionante lição de democracia, não cedeu ao medo e às predições apocalípticas. Não é a Europa que está morta, é a UE que vacila, são as nações que renascem.

Para o ex-presidente conservador Nicolas Sarkozy, que almeja poder disputar novamente as eleições presidenciais no ano que vem, o diagnóstico produzido pelo Brexit é claro: “a expressão de uma forte rejeição da Europa tal como funciona hoje”. Sarkozy vai além:

— A lucidez manda dizer que este sentimento de rejeição é partilhado por muitos franceses. O que disse o povo britânico, outros povos europeus poderiam ter dito. É algo que nós não devemos ignorar.

Políticos já questionam a validade do tratado bilateral de Touquet, relacionado ao controle de migração, firmado no início dos anos 2000 após o fechamento do campo de refugiados de Sangatte, na fronteira, e reclamam uma renegociação. O ministro da Economia, Emmanuel Macron, ameaçou recentemente que, em caso de Brexit, “a França não reteria mais os migrantes em Calais”. O ministério do Interior, Bernard Cazeneuve, descartou no entanto alterações, pelo menos por enquanto.

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