Famílias sírias que fugiram para Canadá são obrigadas a serem novamente removidas

EDMONTON, Canadá — À medida que as pessoas retiradas devido ao incêndio na região de Fort McMurray chegam a abrigos, hotéis ou casas de amigos, muitas dizem ter uma prova do que passaram os refugiados sírios antes de chegarem ao Canadá. Wedad Rihani, de 68 anos, pode comparar as duas situações. A advogada síria chegou a Fort McMurray apenas 70 dias antes de se tornar um dos desabrigados pelo incêndio — ela é um dos seis membros da família recebida pelo filho Fahed Labek, um químico que trabalha na indústria de petróleo canadense.

— Deixei para trás o fogo criado por humanos para vir para o fogo daqui — disse. — Mas aqui se pode escapar. Em casa não há fuga. Aqui a gente recebe um sorriso. Lá não temos ajuda.

Wedad usa uma cadeira de rodas e perdeu os óculos na pressa para deixar a área atingida pelo incêndio, que já queimou mais de 1.600 quilômetros quadrados em Alberta e ameaça agora a província vizinha de Saskatchewan. Para ela, Fort McMurray, mesmo sob as circunstâncias atuais, é preferível ao que deixou para trás. Mas admite que a maior parte dos 25 mil refugiados sírios levados ao Canadá pelo primeiro-ministro Justin Trudeau enfrentou menos drama.

— Muitos foram para cidades onde, graças a Deus, não há incêndio. Nossa má sorte nos seguiu — disse.

Na última sexta-feira, Labek, que é casado e tem dois filhos pequenos, e sua família ampliada deixaram o abrigo temporário oferecido pela Mesquita al-Rashid, no norte de Edmonton, e foram para um hotel. Eles estão entre as 25 mil pessoas que fugiram para Fort McMurray apenas para se encontrarem novamente encurraladas pelas chamas.

A família chegou a Edmonton na quinta-feira, num caminho parte por ar e parte pela estrada. A fumaça espessa no sábado, no entanto, forçou a polícia a reduzir os comboios pela metade, passando 24 veículos de cada vez.

Somente a Mesquita al-Rashid ajudou cem famílias. Muitos dormiram em colchonetes numa sala de aula no porão, incluindo outros dois sírios que chegaram a Fort McMurray como refugiados. Um centro de exposições em Edmonton tinha cerca de 4.400 vagas disponíveis.

Grandes números de refugiados ficaram em cidades menores e reservas entre Edmonton, Calgary e Fort McMurray, como Lac La Biche, Alberta.

No domingo, a chuva e as temperaturas mais baixas fizeram com que o incêndio avançasse “muito mais lentamente”, segundo Rachel Notley, primeira-ministra da província de Alberta, que revisou para baixo as estimativas sobre a área florestal destruída, antes calculada em dois mil quilômetros quadrados. Segundo ela, o fogo está a 40 quilômetros da divisa com a província de Saskatchewan.

— Esse é um caso de incêndio extremamente raro — disse Chad Morrison, diretor dos bombeiros de Alberta.

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