Em um dia, oposição diz ter 70 mil assinaturas validadas contra Maduro

CARACAS — A oposição venezuelana afirma ter validado em um dia mais de 70 mil assinaturas em favor da convocação de um referendo revogatório contra Nicolás Maduro. A cifra declarada pelo líder opositor Henrique Capriles representa 36,7% da quantidade de validação exigidas pelo órgão eleitoral do país para ativar a consulta popular. O processo pode terminar no encurtamento do mandato do presidente.

Na segunda-feira, venezuelanos começaram a validar suas assinaturas em centenas de postos espalhados pelo país. O processo é coordenado pela coalizão opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD) que, em maio, entregou 1,85 milhão de firmas a favor da convocação do referendo — 600 mil destas foram invalidadas pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

O processo acontece em todo o território venezuelano até a próxima sexta-feira, dia 24 de junho. Mas a expectativa da oposição era alcançar a quantidade de validações exigidas pelo CNE até a manhã desta terça-feira — que corresponde a 194.729 assinaturas, ou seja, 1% das firmas aprovadas pelo órgão eleitoral.

Até as 16h de segunda-feira, o CNE indicou que 62.708 haviam sido validadas até então. Mas Capriles afirmou, na noite de ontem, que o balanço estava incompleto, porque os pontos de confirmação das firmas fecharam às 18h.

Desde segunda-feira, deputados oposicionistas reclamam da baixa quantidade de equipamentos para o processo de validação disponibilizados pelo órgão eleitoral.

BATALHA POLÍTICA

A oposição acusa o governo de tentar atrasar o processo revogatório. Se o referendo for feito este ano e o presidente Nicolás Maduro perder, uma nova eleição presidencial deverá ser convocada. Mas se a votação ficar para o próximo ano, o vice-presidente assumiria em caso de vitória de Maduro.

— O objetivo do CNE foi não nos dar material suficiente para validar as assinaturas e, assim, atrasar o processo — denunciou o deputado Stalin González.

A segunda fase do processo é a coleta de mais de quatro milhões de firmas, para ativar formalmente a consulta popular. Se não ocorrerem imprevistos, o referendo poderia acontecer entre a segunda quinzena de novembro e meados de dezembro, segundo o especialista em temas eleitorais Eugenio Martínez.

Na semana passada, no entanto, Maduro apresentou uma demanda de fraude na coleta das assinaturas ao Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), o que, segundo juristas, poderia implicar o atraso do processo e, inclusive, sua anulação.

A oposição venezuelana tem investido em uma forte ofensiva contra o mandato de Maduro. Nos últimos meses, parlamentares contrários ao seu governo declararam uma campanha pela sua saída do governo, que inclui diferentes mecanismos legais e a convocação de manifestações nas ruas.

O presidente viu sua popularidade despencar devido à recessão brutal, uma inflação de três dígitos, escassez generalizada de produtos e longas filas nos estabelecimentos comerciais. Pequenas manifestações anti-Maduro e saques vêm acontecendo em várias cidades nas últimas semanas.

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