Em tentativa de aliviar tensões, Maduro e diplomata dos EUA se reúnem em Caracas

CARACAS — Em viagem a Caracas, o diplomata americano Thomas Shannon se reuniu com o presidente Nicolás Maduro. Eles se encontraram no Palácio de Miraflores uma semana após o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, ter afirmado que queria manter conversações com o governo venezuelano para aliviar as tensões entre os dois países.

Shannon também se reúne nesta quarta-feira com o vice-presidente da Assembleia Nacional, o deputado opositor Enrique Márquez. O congressista se mostrou otimista com a visita do diplomata, citando o episódio como uma oportunidade para que a Venezuela e os EUA regularizem suas relações.

Na terça-feira, Maduro deu as boas-vindas a Shannon e interpretou o encontro do dia seguinte como um passo para relações de respeito entre os dois países.

— Me parece muito bem que se deem passos certeiros para relações de respeito com os Estados Unidos. Eles lá, e nós cá — afirmou o presidente.

Em 2015, Shannon fez várias visitas à Venezuela e ao Haiti para realizar encontros com Maduro e outras autoridades e integrantes da coalizão opositora. No entanto, as tentativas de reaproximação não avançaram.

Na semana passada, o presidente anunciou que tinha aprovado reuniões de alto nível com representantes do governo americano, afirmando que estava disposto a trocar embaixadores para normalizar as relações diplomáticas com os EUA. Os dois países estão sem embaixador desde 2010.

Márquez indicou que o encontro focará na necessidade de uma mudança política, na retificação da economia e no reconhecimento de uma crise humanitária na Venezuela.

No mesmo dia, o líder opositor Henrique Capriles recebeu Shannon para denunciar a ausência de diálogo político na Venezuela.

— É o governo que não permite que haja um processo de diálogo no país. O diálogo na Venezuela não pode ser para uma foto, não pode ser para perder tempo, porque os venezuelanos estão em uma situação de emergência — disse Capriles, segundo o “El Universal”.

No encontro, o líder opositor também criticou o ex-presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, por não ter mencionado o processo para convocação de um referendo revogatório contra Maduro, conduzido pela oposição, em seu discurso de terça-feira na OEA.

— O ex-presidente Rodríguez Zapatero tem que revisar muito bem como será sua posição, porque o que hoje escutamos são generalidades e os venezuelanos não estão para generalidades — complementou.

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