Em Bruxelas, Escócia busca negociações diretas para ficar na UE

BRUXELAS — A primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, considerou nesta terça-feira que os líderes europeus responderam com simpatia à sua defesa pela permanência da Escócia na União Europeia (UE). Em Bruxelas, ela argumentou que a decisão britânica de deixar o bloco poderia fragmentar o Reino Unido, já que os escoceses votaram majoritariamente contra o Brexit no referendo da semana passada. No entanto, a chefe de governo enfrentou uma reação negativa, sobretudo, do primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy.

Na primeira reunião do bloco europeu sem o Reino Unido, Nicola afirmou que a Escócia não deve ser retirada da UE contra a sua vontade. Ela quer negociar diretamente com Bruxelas para proteger os direitos escoceses enquanto membros do bloco — e mais uma vez levantou a possibilidade de realizar uma nova consulta popular sobre a independência do país.

— Desde que cheguei aqui hoje, encontrei enorme interesse no resultado do referendo, como seria de esperar, e também tive uma resposta compreensiva à posição em que a Escócia se encontra frente à perspectiva de ser tirada da UE contra a sua vontade — disse a primeira-ministra à imprensa.

A Escócia, que realizou um referendo anterior sobre a independência em 2014, votou por uma margem de 62% a 38% pela permanência na UE no referendo de quinta-feira. O resultado vem em desacordo à votação no Reino Unido, que registrou 52% dos votos a favor da saída contra 48% pela permanência. Após o resultado em favor do Brexit, Nicola disse que o voto na Escócia torna claro que o país vê seu futuro dentro da UE.

— Quero deixar absolutamente claro hoje que pretendo tomar todas as medidas possíveis e explorar todas as opções para efetivar o que o povo da Escócia votou, em outras palavras, para garantir nosso lugar na UE e em um mercado único — disse a chefe do governo escocês.

No entanto, o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, declarou que Madri se oporá a qualquer negociação do bloco com a Escócia. Em seu país, ele luta contra as tentativas separatistas da Catalunha.

— O governo espanhol se opõe que essas negociações sejam feitas com alguém diferente do governo do Reino Unido — disse Rajoy após a reunião. — Se o Reino Unido sair, a Escócia sai.

Em resposta, Nicola disse que não estava surpresa em ouvir estas posições da Espanha. Ela afirmou que está consciente das dificuldades que deverá enfrentar e que sua prioridade é fazer a voz dos escoceses ser ouvida.

Segundo o seu porta-voz, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, estava ciente dos pedidos da chefe de governo escocesa, mas não interferiria nas políticas internas britânicas.

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