Deitada no chão, mulher de López lidera protesto na sede da OEA em Caracas

WASHINGTON — A mulher do líder opositor venezuelano Leopoldo López, Lilian Tintori, comanda nesta quinta-feira um protesto na porta da sede da Organização dos Estados Americanos (OEA) em Caracas. Em Washington, líderes da organização realizam uma sessão extraordinária sobre a crise no país e debatem a possível aplicação da Carta Democratica Interamericana à Venezula — o que poderia levar o país a ser suspenso da OEA.

Na capital, venezuelanos deitaram sobre o chão para pedir que a organização internacional ative o documento — invocado pelo chefe da OEA, Luis Almagro — contra o governo de Maduro. Este é um mecanismo concebido em casos de alteração ou ruptura da linha democrática e constitucional em um de seus Estados-membros.

A mulher de Leopoldo López, líder opositor atualmente preso na Venezuela, comandou a ação. Ela disse que os manifestantes se deitaram no chão “porque é ali que está o país.”

Nesta quinta-feira, ao apresentar seu relatório à OEA, Almagro fez graves críticas à Venezuela e defendeu a aplicação da Carta Democrática ao país:

— A Carta Democrática é a verdadeira Constituição das Américas. Estes não são documentos que foram impostos, os Estados-Membros optaram por assiná-los, em um consenso sobre os princípios que definem quem somos, o que nós acreditamos e como nos relacionamos uns com os outros. Liberdades fundamentais, direitos humanos e democracia não existem apenas quando é conveniente. Se estamos comprometidos em proteger os princípios e práticas da democracia no continente, devemos estar dispostos a agir — disse o secretário-geral.

A sessão começou cercada de polêmicas. A chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez, pedia a suspensão da reunião, alegando desrespeito ao governo legítimo de Nicolás Maduro. Enquanto isso, no mesmo prédio, o presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Henry Ramos Allup, enumerava problemas na democracia do país.

— Nós defendemos que não aprovemos a ordem do dia. Este debate atende aos objetivos de Almagro, que está atendendo aos interesses da oposição Venezuelana — afirmou Delcy Rodríguez.

Não há previsão de quanto tempo durará a reunião e, sequer, se algo será aprovado efetivamente.

No lado de fora da sede da OEA, em Washington, grupos pró e contra o governo de Nicolás Maduro protestam. A polícia acompanha no local e os dois grupos convivem pacificamente. A sede da OEA fica exatamente ao lado da Casa Branca.

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