Cristina Kirchner: 'Não é uma sensação térmica, é claro que sou perseguida'

BUENOS AIRES — Após dez de suas propriedades terem sido alvo de operações de busca, a ex-presidente argentina Cristina Kirchner disse que está sendo perseguida judicialmente. Em uma entrevista — que mais pareceu, na verdade, um monólogo — , ela adiantou que apelará das acusações que enfrenta no tribunal argentino. Atualmente, a ex-chefe de Estado é investigada por diferentes denúncias, incluindo lavagem de dinheiro e uma associação ilícita que causou prejuízo de R$ 7 bilhões ao Banco Central do país.

— Não é uma sensação térmica, é claro e evidente: eu sou perseguida. Temos que fazer uma auditoria porque essa coisa de dizer alegremente que há sobrepreços em obras públicas ou a mentira de que alguém desvia dinheiro no aluguel de imóveis é loucura — disse Cristina ao “C5N”.

Na sexta-feira, a ex-presidente recorreu às redes sociais para se defender e questionar a Justiça do país. O objetivo, segundo a ex-mandatária, é “criar um novo tipo penal: o delito de ter pertencido ao governo durante o período de 2003 a 2015” — que compreende a administração do marido (2003-2007) e seus dois mandatos (2007-2015) — e “distrair a população enquanto o ajuste e o desastre econômicos aumentam a pobreza, a desigualdade e a insegurança de maneira indisfarçada e exponencial”.

“O Partido Judicial (referência ao Poder Judiciário do país) com inusitada virulência, impulsionado pelo governo [de Mauricio Macri] e com explícito incentivo dos meios hegemônicos de comunicação, tem intensificado a campanha de perseguição e difamação contra o governo que presidi”, denunciou Cristina em texto publicado nas contas oficiais do Facebook e do Twitter.

Uma pesquisa revelou que a maioria dos argentinos dão como certa a culpa de Cristina Kirchner nas acusações de corrupção que pesam sobre ela. De acordo com a enquete realizada pela consultoria Giacobbe & Associados, a partir da amostra de 2,2 mil entrevistados, 71% dos cidadãos argentinos acreditam que Cristina e o marido, o também ex-presidente Nestor Kirchner, “organizaram um sistema de corrupção Estatal”.

Por outro lado, 17,5% consideravam que os feitos do governo kirchnerista “minimizavam qualquer ato de corrupção”. Apenas 4,1% afirmaram não saber do que se tratava a pesquisa, realizada entre 24 e 26 junho, com margem de erro em 2,1 pontos percentuais.

INVESTIGAÇÃO BATE À PORTA

No marco das investigações, dez propriedades de Cristina na província de Santa Cruz foram alvos de busca na última quinta-feira — a presidente e seu filho, Máximo Kirchner, são suspeitos de enriquecimento ilícito e de falsificação de documentos públicos.

— Não só há uma denúncia contra a ex-presidente, como há medidas em curso (contra ela) — disse Marijuan, promotor do caso que está sendo conduzido pelo juiz Sebastián Casanello, em uma entrevista à Rádio Mitre.

Marijuan relatou duas medidas que podem complicar a vida de Cristina. Segundo ele, ligações telefônicas estão na mira da polícia, além da suposta advertência da embaixada dos Estados Unidos a Cristina, quando ela ainda era chefe de Estado, sobre as movimentações do empresário Lázaro Báez — amigo e sócio da família Kirchner, preso e investigado por suposta lavagem de dinheiro.

O promotor também se referiu à possibilidade de que todos os casos envolvendo Báez e a ex-presidente sejam unidos em um só.

— Será assunto de debate jurídico montar uma megacausa — acrescentou Marijuan.

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